Georgi Licovski/EPA/EFE
Georgi Licovski/EPA/EFE

Lateral que disse ‘não’ à seleção brasileira é um dos destaques da Rússia

Mário Fernandes é titular da equipe anfitriã e sensação da Copa do Mundo, mas afirma que se arrepende de ter recusado o Brasil

Gonçalo Junior, enviado especial / São Petersburgo, O Estado de S.Paulo

24 Junho 2018 | 05h00

O lateral Mário Fernandes tem uma trajetória bastante peculiar no futebol mundial. Em 2011, ele recusou uma convocação da seleção brasileira na época do técnico Mano Menezes sem grandes explicações. Meses depois, voltou a ser chamado por Dunga, jogou duas partidas, mas decidiu se naturalizar russo. Virou titular. Hoje, é um dos destaques da seleção anfitriã que está classificada à próxima fase. Embora tenha sido acolhido no novo país, afirma que se arrepende de ter dito “não” ao Brasil.

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“Hoje eu não voltaria a repetir. Não que eu queria estar lá. A Rússia me abriu as portas e eu sou muito feliz aqui. Se fosse hoje, naquela oportunidade, eu certamente me apresentaria à seleção. O motivo não preciso dizer, mas me arrependi de não ter me apresentado. Eram problemas meus. Me arrependo do que fiz e da decisão”, diz o lateral “russo”. 

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A Rússia me abriu portas e sou muito feliz aqui. Mas me arrependi.
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Mário Fernandes, lateral da seleção russa

O “não” à seleção brasileira aconteceu em 2011. Sua velocidade e presença ofensiva pelo lado direito do Grêmio chamaram a atenção do técnico Mano Menezes. Mário foi convocado para disputar as partidas do Superclássico das Américas contra a Argentina, no dia 5 de setembro, e no dia 22 de setembro. Até hoje, o lateral não revela as razões da desistência. Segundo pessoas próximas, ele teria se revoltado com a indiferença da comissão técnica e não se sentiu à vontade. 

No ano seguinte, o jogador se transferiu para o CSKA, da Rússia, onde ganhou seis títulos nacionais. Em 2014, ele voltou a ser chamado pela seleção brasileira no processo de reconstrução após a derrota na Copa. Dessa vez, pelo técnico Dunga. Aceitou. Jogou 45 minutos no amistoso diante do Japão, mas não foi convocado novamente. 

 

CIDADÃO RUSSO

Ambientado na Rússia, Mário tomou uma decisão ainda mais importante em 2016. Deu entrada no requerimento de cidadania russa. Meses depois, o próprio presidente Vladimir Putin, torcedor do CSKA, assinou o decreto de naturalização do brasileiro. “Todos me respeitam muito aqui. Sempre. Eles gostam de mim e eu gosto deles. Já são seis anos no país. Estou bastante feliz e espero continuar por bastante tempo na Rússia. Desde o roupeiro até os jogadores me tratam de maneira excelente”, conta o jogador de 27 anos. “Eu agradeço a eles por me receberem tão bem e me darem essa oportunidade de jogar uma Copa do Mundo.” 

O brasileiro naturalizado russo é um dos destaques do time sensação. Ele conserva o poder ofensivo da época do Grêmio. Também conserva uma habilidade rara para quem joga na defesa - é filho de um técnico de futsal. Na partida diante do Egito, driblou o defensor e cruzou para o segundo gol. Fez uma jogada de ponta. Já na próxima fase da Copa, nas oitavas, ele evita escolher adversários. Espanha e Portugal provavelmente estarão no caminho dos donos da casa. 

“Muita gente não acreditava, mas a gente sabia que podia conseguir a classificação. Treinamos bastante e estamos de parabéns. Conseguimos dois grandes jogos. Mas precisamos manter os pés no chão.” 

“Para mim, é bastante importante atuar. É uma realização pessoal. Mas o mais importante é o grupo. Se eu não jogasse, estaria feliz da mesma forma. Respeito todos os jogadores.” 

Mário Fernandes afirma que ainda assiste às partidas da seleção brasileira. “Eu olhei o jogo contra a Suíça. O Danilo e o Fagner são grandes jogadores de Tite. A seleção está bem servida de laterais”, avalia.

 

 

 

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