Latino-americanos lutam por mais vagas nos Mundiais

Dirigentes da Conmebol articulam para aumentar o número de seleções da região no torneio. Europa e Ásia pressionam

Jamil Chade, O Estado de S. Paulo

25 de junho de 2014 | 05h00

Dirigentes do futebol latino-americano já usam os resultados da Copa do Mundo – em que se vê uma avalanche de times do continente nas oitavas de final – para fazer lobby por maior presença de seleções do hemisfério ocidental nos próximos Mundiais.

O Estado apurou que, diante das eleições, em 2015, para a presidência da Fifa, federações de todo o mundo começam a barganhar seus votos em troca da maior presença de suas regiões na fase final da Copa. A África estima que está sub-representada com apenas cinco lugares para 54 federações. E os asiáticos insistem que são os principais mercados do planeta nos próximos anos e que seriam a "fronteira natural" para a expansão dos interesses comerciais do futebol.

Os cartolas do continente americano se mobilizam em encontros no Rio. O ponto central do debate é a participação da Concacaf, organismo regional que representa América do Norte, Central e Caribe. Hoje, a região conta com apenas três vagas e meia. No Brasil, eles conseguiram quatro vagas graças à vitória na repescagem do México.

O pedido é de que a área conte com quatro vagas permanentes. Além do desempenho em campo, a região vive um boom econômico no futebol. Depois de anos assolada por escândalos de corrupção, a entidade acumula lucros e grandes contratos de televisão, com um índice de popularidade do futebol nos EUA cada vez maior. Ao mesmo tempo, as seleções asiáticas decepcionaram, perdendo a maioria dos jogos na Copa.

Entre os sul-americanos, o temor era de que uma eventual redistribuição das vagas acabasse afetando a região. Os europeus acusam a América do Sul de levar para a Copa quase metade dos países do continente, o maior índice de todos.

Os resultados em campo, no entanto, estão permitindo que essa taxa seja defendida. E os cartolas da Conmebol já usam o evento para mostrar que não existe razão para que uma das vagas seja retirada para atender a africanos e asiáticos. “Nossa posição é de mantermos o número de vagas que temos hoje”, confirmou Eugenio Figueredo, presidente da Conmebol.

Para a confederação, se a Fifa optar por dar mais vagas a africanos e asiáticos, quem precisa ceder é a Europa, hoje com 13 das 32 vagas. Temendo perder espaço, o presidente da Uefa, Michel Platini, sugeriu uma Copa com 40 times, oito a mais que a atual. Joseph Blatter, presidente da Fifa, rejeita a proposta

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