J. F. Diorio/Estadão
J. F. Diorio/Estadão

Operação Lava Jato e dívidas prejudicam arena do Palmeiras

Construtora tem situação financeira bastante delicada

Daniel Batista, O Estado de S.Paulo

28 de agosto de 2015 | 18h14

Em uma grave crise financeira, a WTorre luta para conseguir pagar suas dívidas e não precisar vender o Allianz Parque. A construtora, responsável pelo estádio do Palmeiras, não tem conseguido honrar com seus compromissos e um pedido de falência e as investigações da Operação Lava Jato, que apura o desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro, atrapalham bastante a empresa na tentativa de melhorar sua saúde financeira. 

A falta de dinheiro faz com que a construtora atrase a entrega de muitos projetos que estavam previstos para ficarem prontos há muito tempo. Algumas empresas foram contratadas para fazerem serviços na arena e uma boa parte delas ainda não recebeu ou tem pagamentos em atraso. Uma delas, a Tejofran, responsável pela retirada de entulhos do estádio, pediu a falência da construtora por causa de uma dívida de pouco mais de R$ 500 mil.

Esse pedido fez com que outras empresas, que iriam investir na arena se afastem, com o temor de que a WTorre acabe falindo. Além disso, a investigação da Operação Lava Jato também é algo que atrapalha, embora a construtora não tenha seu nome ligado ao caso. "Você acha que alguém vai investir ou fazer uma parceria com uma construtora, mesmo ela não tendo ainda sido chamada no Lava-Jato, mas que tem um pedido de falência"?, questionou uma fonte ouvida pelo Estado

Para amenizar o prejuízo, a construtora tem vendido sua parte em diversos outros investimentos como o Shopping JK Iguatemi e parte das ações da BR Properties, empresa especializada em investimento de imóveis. Além disso, a arena tem dado lucro, mas uma boa parte do dinheiro tem sido usada para pagar dívidas atrasadas e, consequentemente, algumas obras no estádio estão paradas. 

O local para a imprensa escrita, por exemplo, é inexistente, nem sequer existe um prazo para que o local seja construído. Assim como restaurantes e diversos outros comércios previstos para serem erguidos no estádio, estão bastante atrasados e a maioria sequer tem um prazo determinado para ficar pronto. O Burguer King, que teve acordo assinado em 2012, só foi entregue no começo deste mês.

A AEG, responsável por gerenciar e contratar os eventos para o estádio, acompanha tudo de perto e preocupada. Ela também tem pagamentos para serem quitados, cerca de R$ 2 milhões - a empresa, por meio de sua assessoria de imprensa, avisou que não vai se manifestar sobre o assunto. A situação financeira da WTorre é tão delicada que até a MVL, empresa contratada para prestar serviços de assessoria de imprensa da arena, teve o contrato rescindido após vários meses de atraso. 

Como o estádio é uma das principais fontes de renda da construtora, a WTorre não demonstra interesse, no momento, em vender o estádio do Palmeiras. E mesmo se quisesse se desfazer da arena, teria dificuldades, já que possíveis interessadas estão receosas em fazer um grande investimento, por causa da economia do país. 

A Crefisa, empresa patrocinadora do Palmeiras, é uma das que sonham fazer uma proposta para assumir o comando do estádio, mas vê a chance como algo impossível no momento. Enquanto isso, o presidente Paulo Nobre tenta unir um grupo de investidores, inclusive ele próprio, para conseguir arrecadar uma grande quantia financeira e tentar fazer uma proposta para comprar a arena, algo que também está em um estado bastante inicial.

Paralelamente, continua a disputa na arbitragem para definir alguns pontos discordantes do contrato da arena. O principal ponto é em relação a venda das cadeiras do estádio. A WTorre julga que tem o direito de comercializar todos os assentos, passando uma porcentagem ao Palmeiras, que por outro lado, alega que só 10 mil lugares são da empresa e o restante pertence ao clube.  

 

A WTorre se manifestou através de uma nota oficial e assegurou que não existe a possibilidade de vender o estádio, embora admite que vive uma condição financeira delicada. Confira a nota oficial:

"O Grupo WTorre  esclarece que não recebeu qualquer proposta, não foi procurado e não mandatou nenhuma entidade do mercado financeiro para a venda de sua arena multiuso. 

Em menos de um ano de operação, a arena recebeu mais de 1 milhão de pessoas, em shows, jogos de futebol e eventos corporativos, o que só reforça nossa convicção de que o trabalho que vem sendo desenvolvido está no caminho correto.

Em que pese um ambiente macroeconômico deteriorado, a escassez de crédito que limita o desenvolvimento e a expansão dos negócios no País, enfatizamos que não temos nenhuma intenção de nos desfazermos de um ativo no qual investimos mais do que R$ 670 milhões. Investimos tempo e investimos nossos melhores recursos humanos. 

A WTorre tem total interesse no negócio e por isso permanece realizando os investimentos necessários para aprimorar continuamente  o que já se mostrou ser um empreendimento vencedor e querido pela Torcida palmeirense e pelo público em geral – em que pese a indisposição que alguns membros do próprio clube nutrem em relação à nossa empresa e ao empreendimento.

Apesar de contar com poucos meses de operação, podemos afirmar que a arena é um sucesso de crítica, de público, financeiro e comercial e é natural que desperte muito interesse e atenção. "

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