Marcos de Paula/Estadão
Marcos de Paula/Estadão

Leão analisa Brasil na Copa: 'Sustos vieram para correções serem feitas'

Ex-goleiro e treinador demonstra confiança na busca da seleção pelo hexacampeonato

Matheus Lara, O Estado de S.Paulo

24 Junho 2018 | 05h00

Campeão mundial em 1970, Emerson Leão se mostra confiante em uma reação da seleção brasileira na Copa do Mundo e aposta no trabalho de Tite para que a equipe volte a ter segurança dentro de campo – como demonstrou nos amistosos e na boa campanha pelas Eliminatórias. Ao Estado, ele diz que os “sustos” até aqui no Mundial (empate com Suíça e vitória nos acréscimos diante da Costa Rica) vieram para mostrar que ajustes precisam ser feitos.

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Qual sua avaliação dos primeiros dois jogos do Brasil na Copa?

Ainda que todos nós brasileiros tenhamos nos acostumado ao melhor desempenho dos amistosos, é preciso reconhecer que, dentro do ruim que aconteceu, houve avanço de um jogo para o outro, mesmo contra um adversário mais fraco. Mas amistoso é amistoso e Copa é Copa. Não podemos ficar numa corda bamba de ganhar jogo na prorrogação contra a Costa Rica. A próxima partida vai ser contra um adversário mais difícil, mas que temos que ganhar. Acredito que sairemos para jogar e isso deve facilitar. O Tite deve mexer na equipe. Pouca coisa, mas deve mexer. E quando encaminha bem o time, sobe na competição e tudo fica positivo. Mas todos estão apreensivos também com algumas atitudes dos nossos atletas.

É um descontrole emocional?

É um pouco de tudo. Um exemplo: a falta de rendimento num esquema que talvez possa estar limitando alguns atletas, como o Willian, que rende mais no meio. Já tivemos dificuldades pela direita, ainda que o Fagner tenha entrado bem. A estrela do time (Neymar) também está desequilibrada por diversos motivos e não cabe a mim julgá-lo. Nosso time precisa estar consciente do que é uma Copa. Do que cada um ali representa para o País. Não dá para cometer erros primários de nervosismo ou ataques histéricos.

Como essa pressão afetou o trabalho do Tite?

O Tite está lá por mérito próprio. Isso é bom. Ele estabeleceu uma doutrina dentro da seleção dele. E é conservador dentro dessa doutrina. Para fazer algo mais radical, ele demora um pouco mais, mas ele tem capacidade para perceber tudo isso. Ele também sentiu uma pressão. Mas o ponto positivo é que, mesmo sem um futebol brilhante, o resultado veio (contra a Costa Rica). Então esse tipo de susto veio para mostrar que correções precisam ser feitas. E ele tem tempo e capacidade para isso.

Então essas cobranças são justificáveis?

Sim, a cobrança é normal. A maior rivalidade do Brasil é contra a Argentina, e perdemos para eles. O único jogo que o Tite perdeu. A rotina era de felicidade, e então algumas pessoas ficaram “invocadas” pela derrota. As coisas são assim. Se o Brasil vencer bem (a Sérvia) e se classificar com tranquilidade para as oitavas, o caminho volta a ser positivo. Temos coisas positivas: nossos zagueiros estão bem. E, na minha opinião, acho que o Brasil deveria ter um capitão definido, ao invés do rodízio. Pois quando precisa, às vezes um olha para o outro e ninguém sabe a quem recorrer.

 

Quem deveria ser capitão?

Eu não estou na Copa e acho que ninguém deve dar palpites de fora. Engenheiro de obra pronta é muito fácil. Mas tem que respeitar a individualidade sabendo que a individualidade também precisa trabalhar pelo conjunto. Um líder tem que ser líder. Se não tem um líder, tem que escolher um.

Te surpreendeu os inícios ruins de Alemanha e Argentina?

A Copa não começou com as realidades. As realidades não se apresentaram bem e algumas perderam. Vamos ver a segunda fase se essas realidades estarão lá, porque aí voltamos à estaca zero. Uma coisa que me preocupa é que a cada Copa mostra-se um distanciamento cada vez maior entre sul-americanos e europeus. O europeu contrata o mundo todo e doutrina como eles querem, e aí as origens das outras regiões acabam se perdendo.

 

 

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