Leão assume culpa por empate

Tendo como som ambiente os gritos dos torcedores, "fora Leão? e ?burro?, o treinador do Brasil se recusou a dar entrevistas no gramado. Ele quis 30 minutos para pensar como explicar o empate diante do Peru no Morumbi. Tenso, ele participou da entrevista obrigatória. "Empate da Seleção Brasileira dentro de casa é um péssimo resultado, sempre. Mas a hora não é para desespero. Se for se desesperar, tudo ficará pior. Lógico que está desagradável a tabela de classificação, mas quando menos se espera o Brasil volta a mostrar o espetáculo." O treinador não quis acabar com a sua idéia de convocar a base da Seleção Brasileira com jogadores que atuam no País. "Não foi por causa de um resultado ruim que iremos acabar com a mudança que estou fazendo. Não vou colocar a culpa em cima dos jogadores. De jeito nenhum. A Comissão Técnica é a responsável pelo empate contra o Peru. Nunca jogarei para os atletas o que é meu." O técnico admitiu que errou ao não preparar os reservas para marcar forte como os peruanos fizeram. "Eu tenho de valorizar a seleção do Peru que mostrou todo o empenho em nos marcar. A partida me lembrou a da Colômbia no Morumbi quando todos ficaram se defendendo atrás. Nós não conseguimos passar pelo bloqueio deles. Vai ser sempre assim contra o Brasil. Mas eu errei por não pedir os reservas para não dar espaços aos titulares em Jarinu. Errei e pronto." Leão se defendeu por haver trocado o meia Ricardinho pelo volante Mineiro. "Estávamos ganhando a partida, mas os peruanos dominavam o meio de campo. Palácios estava livre. Coloquei o Mineiro para anulá-lo e ele conseguiu. Mas acontece que infelizmente sofremos o gol um segundo depois da entrada dele. E o que eu havia pensado não deu certo. Depois coloquei o Washington para resolver na bola aérea. Ele precisava estrear um dia. Mas não deu certo." Quanto aos jogadores que estrearam ele teve só elogios. "Ewerthon se mostrou um homem, consciente do que é capaz. Leomar deu cobertura e fez o que deveria fazer. Os dois laterais, César e Alessandro, tentaram atacar, mas não houve espaço. Se o Brasil marcasse um gol no início da partida, todos poderiam jogar mais." Quanto a Marcelinho Carioca, foi mais lacônico. "Ele não foi feliz e tive de tirá-lo no intervalo." Quanto ao futuro, só preocupações. "Nós teremos partidas muito difíceis pela frente. Será duro para nós mas também será para o Uruguai, Paraguai, Argentina. Sei também não que haverá tempo para treinar. Mas nós não vamos guilhotinar os jovens jogadores na Seleção. Estou tentando arrumar mais tempo para treinar pedindo para os dirigentes brasileiros. Eles estão tentando, mas temos de nos unir para buscar a classificação para a Copa do Mundo. Mas não está nada fácil, companheiro." Sobre a sua situação na seleção, Leão diz estar tranqüilo. "Não sou eu quem deveria estar ouvindo essa pergunta. Mas tenho certeza que o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, não irá utilizar uma partida para analisar um trabalho."

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