Leão dá a volta por cima com campanha do Santos

'Minha maior colaboração ao Santos foi não ter pedido demissão quando todos queriam que eu saísse', diz

Sanches Filho, Especial para O Estado de S. Paulo

27 de março de 2008 | 18h57

Leão esperou mais de um mês e a vitória no clássico mais importante para o Santos, diante do Corinthians, para mostrar aos dirigentes do clube que ainda não esqueceu as traições e as humilhações que sofreu quando o time estava nas últimas colocações do Campeonato Paulista. E agora, dá o troco."Minha maior colaboração ao Santos foi não ter pedido demissão quando todos queriam que eu saísse", disse Leão, já na madrugada da quinta-feira, após a quinta vitória seguida, resultado que permite ao clube ter maiores esperanças de classificação às semifinais, embora não dependa apenas de suas próprias forças.Depois da derrota contra o Rio Preto, em São José do Rio Preto, ele recebeu inúmeras informações de amigos dando conta de que o diretor de futebol, Luiz Antônio Ruas Capella, havia conversado com vários técnicos, convidando-os para trabalhar no Santos. Foram citados Abel Braga, do Internacional, Cuca, do Botafogo, e Caio Júnior, do Goiás, entre outros. Tudo estava encaminhado para que um deles assumisse o comando do time no dia seguinte à derrota contra o Guarani. Vagner Mancini teria aceitado o convite, mas como o Santos ganhou os dirigentes não tiveram como demitir Leão."Tem certas coisas que você é obrigado a escutar e gravar. Há um tempo atrás, quando estávamos em 17.° lugar, tive uma reunião com a diretoria e quando expus certas dificuldades, me responderam: foi você quem pôs o time nessa situação. Falei: tá bom, então vou tirar. E tirei, mas ainda não estou satisfeito porque o lugar do Santos é no G-4." Há duas semanas, Leão confidenciou a um amigo que a frase foi dita pelo presidente Teixeira, deixando claro que Capella não agia por conta própria quando procurava um novo técnico.Leão também teve que enfrentar a campanha de uma torcida organizada, que ele identifica como "a turma do carnaval", sem que os dirigentes lhe dessem uma palavra de apoio. Sem contar que foi atendido apenas nos pedidos de contratações de jogadores de graça, como Marcinho Guerreiro, o goleiro Douglas, o meia Luiz Henrique, Betão e Evaldo.Ainda teve que engolir o quarteto de estrangeiros sem ao menos ter sido consultado. E para demonstrar que não tinha medo de perder o emprego, até agora não assinou o contrato de um ano e só se interessou em receber salários depois de trabalhar mais de 100 dias."Quando você sabe de sua capacidade e honestidade, ninguém segura não. Posso até errar, mas tentando colaborar. Não queimei ninguém, apenas tento seguir o meu caminho. E procuro não complicar", concluiu Leão, que atravessa a fase mais zen de sua carreira, chegando a contrariar a fama de briguento, ranzinza e vingativo. Mas tem consciência de que, se não classificar o time às semifinais do Paulista e às oitavas-de-final da Libertadores, voltará a enfrentar oposição dentro do clube.

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