Leão endurece o jogo com os europeus

O técnico Emerson Leão decidiu ser rigoroso e suspender a tolerância com os clubes europeus. Antes de anunciar a incerteza diante da escalação definitiva para a partida contra o Canadá, neste sábado, às 5h (horário de Brasília), pela segunda rodada da fase de classificação da Copa das Confederações, ele garantiu que não vai mais aceitar a dispensa de qualquer jogador, por motivo de contusão, sem que antes o atleta passe por uma avaliação rigorosa dos médicos da seleção. "Não adianta enviar cópia de exames, relatórios, nem nada, a última palavra vai ser dos nossos doutores, nem que seja in loco", afirmou. Leão atribui uma exagerada má vontade e até mesmo má-fé de alguns dirigentes da Europa na hora de liberar os atletas para a seleção.Ele citou dois exemplos recentes, envolvendo Zé Roberto e Lúcio, ambos do Bayer Leverkusen, para explicar a medida. De férias pelo futebol alemão, os dois apresentaram-se à seleção com problemas clínicos - Zé Roberto, com uma entorse de joelho, e Lúcio, com dores musculares.Ambos estavam vetados pelo Bayer. Ainda assim, a comissão técnica insistiu na vinda dos atletas para o Japão. O zagueiro recuperou-se em uma semana de atividades específicas e está disputando a Copa das Confederações.Zé Roberto não teve a mesma sorte e foi desligado do grupo, cedendo a vaga a Carlos Miguel, do São Paulo. No dia seguinte, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) recebeu fax do Bayer em que o clube reclamava que o jogador havia se machucado nos treinos no Japão. "Não queriam liberá-los, pedi que os dois fossem examinados pelos nossos médicos e obtivemos resultado, o Lúcio está aí", disse Leão. "O Zé não se machucou aqui, eles sabem; não tem sentido dizer isso."Outro caso intrigou a comissão: o veto do Bayer de Munique à apresentação do atacante Élber, depois de ele disputar a final do Campeonato Alemão e da Copa dos Campeões, em que seu clube venceu o Valencia e conquistou o título. "Jogou no dia 23 e, no dia seguinte, fomos informados pelo clube sobre a sua não-liberação, a fim de dar continuidade ao tratamento", contou Leão, referindo-se à recuperação do atacante de grave lesão de joelho, que o obrigou a ser submetido a uma cirurgia.A lógica que o deixa irritado é simples. Se Élber pôde jogar duas partidas decisivas, e não se contundiu, por que só depois teria de se afastar temporariamente? Leão ficou furioso ao lembrar que o problema de liberação de estrangeiros não atingiu as seleções de Canadá e Camarões, do grupo do Brasil na Copa das Confederações, cuja a grande maioria de seus atletas atuam na Europa. Citou também o caso do artilheiro japonês Nakata, ídolo no país, comprado pela Roma por US$ 12 milhões. "Ele chegou ao Japão há dias e não houve obstáculos."Leia também: Brasil já sonha com a classificação Leão: dúvidas para escalar seleção

Agencia Estado,

01 de junho de 2001 | 21h37

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