Leão faz discurso contra Teixeira

Emerson Leão foi demitido do cargo de técnico da seleção brasileira sentindo-se traído pelo presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira. Durante todo o segundo trecho da viagem de Tóquio ao Brasil (de Los Angeles a São Paulo), encerrado na manhã de hoje, Leão comentou com jogadores e seu amigo Pedro Santili, treinador de goleiros também demitido da seleção, que Teixeira não cumprira com a palavra. "Me disse que a Copa (Copa das Confederações) não valia nada, faltou com respeito", declarou na sala de trânsito do Aeroporto Internacional de Los Angeles, diante de todos os atletas, reunidos para a sua despedida. E Leão continuaria seu rápido discurso. "Me fizeram uma apresentação oficial, quando assumi a seleção, deveriam agora me chamar para uma conversa na CBF." Ele demonstrava assim sua contrariedade pela maneira como foi demitido no saguão do Aeroporto Internacional de Narita, no Japão. Horas depois, dentro do avião, em um dos encontros com Santili próximo à área de serviço restrita a comissários de bordo, deixava claro que fôra traído por Teixeira, a quem se referiu com termos nada educados. Na saída do avião, já em São Paulo, um repórter lhe fez uma pergunta: "Leão, como você define a palavra traição?" A resposta estava na ponta da língua: "Procure no dicionário pra mim." Leão viajou de Los Angeles para São Paulo ao lado do coordenador-técnico Antonio Lopes. Assistiu a três filmes: A lenda de Bagger Vance, Miss Simpatia e Cowboys do Espaço. De acordo com Lopes, conversaram sobre amenidades. Não foi bem assim. A todo instante, o ex-treinador da seleção fazia pequenas ironias à respeito da decisão da CBF. Isso provocou um comentário de Lopes tão logo Leão desembarcou no Aeroporto de Congonhas. "Para ser técnico da seleção é preciso muito jogo de cintura e nisso o Parreira é campeão." Essa característica faltou a Leão. Mas não foi determinante em sua saída. O técnico teve outros problemas, muito além dos maus resultados da seleção, que levaram Teixeira a demiti-lo. O conhecido episódio em que calçara um tênis da Adidas, concorrente da Nike, num treino da seleção no Japão, irritou bastante o presidente da CBF. A patrocinadora da seleção fez um protesto formal a Teixeira.Por conta disso, o secretário-geral da CBF, Marco Antonio Teixeira, telefonou para Lopes e pediu que este chamasse a atenção de Leão com firmeza. Dias depois, Leão recusava-se a dar entrevista à TV Globo e criava dificuldades para a emissora na Copa das Confederações, limitando o trabalho de seu profissionais em dias de jogos ou treinos. A TV Globo é parceira da CBF na transmissão das partidas da seleção. A Fifa advertiu a CBF e Teixeira, mais uma vez, não gostou da atitude de Leão. A derrota para a Austrália ainda trouxe um novo contratempo, que passou despercebido por muita gente. Em vez de ficar ao lado da equipe, num momento crítico, Leão seguiu da cidade de Ulsan para Seul, após o jogo, um percurso de 600 quilômetros, e, depois, para Tóquio, onde se juntou ao grupo apenas 40 minutos antes da viagem para o Brasil, 48 horas depois da partida com os australianos. Ele teve de passar em Seul para pegar as compras feitas dias antes num hotel da Coréia do Sul - a entrega só poderia ser realizada no free shop do Aeroporto Internacional de Seul. O restante da delegação foi para Tóquio por outra rota, sem necessitar passar pela capital sul-coreana. Sua ausência foi criticada por Lopes, num jantar com outros integrantes da comissão técnica.

Agencia Estado,

12 de junho de 2001 | 19h42

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