Leão implanta linha dura no Palmeiras

Emerson Leão chega afirmando que acabaram os dias fáceis para os atletas do Palmeiras. Temido por muitos, o treinador não fez questão nenhuma de minimizar essa imagem. "Não quero que tenham medo de mim, mas exijo respeito", afirmou o substituto de Paulo Bonamigo, que se demitiu domingo, após a derrota da equipe para o Fortaleza, por 2 a 1, no Palestra Itália. "Cansei de ler na imprensa os jogadores dizendo que a culpa não era do Bonamigo. Logo, a culpa está neles e é isso que eu vim para corrigir." Nesta terça-feira, em seu primeiro treino, começará a pôr em prática a sabatina ao elenco. Quer encontrar os erros e fará de tudo para identificar os elementos nocivos do time. Em outras palavras, está montado o paredão do Palestra Itália. "No primeiro contato (com os jogadores, hoje à tarde), só eu falei. Amanhã, começando minha rotina no clube, quero ouvir também. Quero que me falem o que está errado", afirmou. "Os atletas se acostumaram a responder aos jornais qual o problema, a partir de agora vão ter de responder dentro de campo", deixou no ar, em tom de ameaça. E explicou: "Em sete meses passaram quatro treinadores por aqui (Estevam Soares, Candinho, Wilson Coimbra e Bonamigo). Logo, algo não está certo aqui dentro, e nem preciso explicar o que é." O time enfrenta, quarta-feira, o Figueirense, em Santa Catarina. Leão estará lá, à espreita, observando seus novos comandados. "Num primeiro momento, não pretendo dispensar ou contratar ninguém", isso seria uma declaração tranqüilizadora para os atletas? Pode ser, mas ele complementou, ainda mais ameaçador que antes: "Não tenho elementos ainda para analisar o grupo, quero conhecê-lo melhor no dia-a-dia e só então decidir o que fazer. Tenho carta branca da diretoria para tomar decisões." Depois de conquistar o título paulista pelo São Paulo no primeiro semestre, o treinador teve rápida passagem pelo Vissel Kobe, no Japão. Voltou ao País, fez-se de difícil, dizendo que pretendia ficar um tempo sem sequer ler notícias sobre futebol, mas hoje, no começo da tarde, acertou contrato de 17 meses com o Palmeiras - até dezembro de 2006. Especula-se que irá receber R$ 300 mil por mês. Certo apenas é que não haverá multa rescisória no caso de uma das partes não cumprir o acordo. "Era um desejo meu antigo que ele viesse. Com a saída do Bonamigo, tudo se adiantou e ocorreu o melhor para as duas partes, diretoria e Leão", contou o diretor de Futebol, Salvador Hugo Palaia. O presidente palmeirense, no entanto, disse que mesmo se o ex-treinador não tivesse pedido demissão, o clube poderia decidir por sua saída. "Faríamos hoje uma reunião para definir o futuro da equipe", revelou Affonso Della Monica, na apresentação do novo técnico. Leão considera uma vergonha um time como o Palmeiras, com a tradição que tem e os jogadores contratados este ano, estar em posição tão ruim no Campeonato Brasileiro. A equipe tem 13 pontos e ocupa a 16ª colocação na competição. Indo mais longe, desde o fim da parceria do clube com a Parmalat, em dezembro de 2000, o time conquistou somente o nada honroso título nacional da Série B, em 2003. "Vamos pensar grande, vim para tentar colocar a equipe entre as melhores e com o intuito de retomar a rotina de conquistas."

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