Leão justifica ausência de Rivaldo

O treinador da seleção brasileira, Emerson Leão, surpreendeu hoje ao dizer que a ausência do meia-atacante Rivaldo, do Barcelona, da lista de convocados para a partida desta quarta-feira foi um prêmio para o atleta. "Precisamos lembrar que o Rivaldo está muito desgastado com as participações na seleção e em seu clube. Por isso acredito que esse tempo vai ser bem-vindo para ele", observou. "Não se pode esquecer que o Rivaldo foi considerado o melhor jogador do mundo em uma temporada e o terceiro melhor na eleição seguinte. Por isso digo que ele mereceu esse descanso", afirmou.Leão fez uma analogia com Gustavo Kuerten. Para ele, o tenista brasileiro é o número um do mundo em sua modalidade, como acontece com Rivaldo e a equipe brasileira. Mas, para se manter nesse posto, precisa treinar, caso contrário vai ter seu rendimento comprometido, como acontece no futebol. "Então todo mundo começa a criticar. Porém, é preciso tempo para fazer o treinamento adequado", explicou.DISTÂNCIA - Depois da derrota por 1 a 0 para o Equador, a partida contra os peruanos passou a ter maior importância e, conseqüentemente, uma pressão maior do que aquela que tradicionalmente marca o confronto. Tanto a situação da seleção brasileira na classificação geral da competição quanto o futuro de Leão no cargo passaram a depender diretamente de um bom resultado contra os peruanos.Para minimizar os efeitos dessa atmosfera carregada, a comissão técnica elaborou uma estratégia prática: não manter muito contato com as notícias. "Não tenho visto televisão ou lendo. Estamos fazendo simplesmente aquilo que consideramos melhor para o grupo", disse o treinador brasileiro.O plano para vencer e readquirir a tranqüilidade, segundo ele, é pressionar o adversário logo no início da partida, ao contrário do que aconteceu diante dos equatorianos. "Começamos o jogo muito tranqüilos e acabamos dando espaço para que eles (Equador) crescessem, principalmente jogando com a torcida a favor." TORCIDA - Leão afirmou hoje que a decisão de não permitir o acesso de torcedores ao local de treinamento da equipe nada mais é do que a maneira encontrada para facilitar a concentração dos jogadores. "Aqui é um lugar de aprendizagem, ensinamento", observou. "Além disso, não há condição na área interna da concentração de receber um grande número de pessoas." O treinador questionou a matéria publicada na edição de hoje de O Estado de S. Paulo, que mostrava a decepção dos torcedores que na segunda-feira dirigiram-se à Estância Santa Filomena para assistirem ao treino e ver seus ídolos, mas acabaram barrados no portão de entrada. "Vocês falaram de minha antipatia. Mas não foi uma atitude antipática, e sim de mérito profissional", explicou.

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