Leão mostra que ele manda na seleção

Emerson Leão está mostrando, na primeira excursão do time brasileiro sob seu comando, que a linha-dura e a imposição de regras serão aspectos básicos de seu trabalho. E, ao mesmo tempo, deixou evidente que quem manda na seleção é ele e não o coordenador Antonio Lopes, contrariando o desejo do presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira.A primeira medida adotada pelo treinador foi proibir que os jogadores fossem entrevistados no hotel em que a delegação está hospedada. Nesta terça-feira, Leão rejeitou os pedidos dos repórteres, que gostariam de entrevistar os atletas, pela manhã, para reportagens de jornais, rádios e televisões do Brasil. Depois da insistência da assessoria de Imprensa da CBF, ele aceitou liberar apenas Rivaldo e Cafu para falar com os jornalistas.Leão garantiu que, enquanto for o técnico da seleção, não pretende abrir espaço para que os jornalistas conversem com as "estrelas" do time brasileiro na concentração, embora essa prática tenha sido utilizada normalmente nos últimos anos.Quando foi abordado sobre o tema, Antonio Lopes isentou-se da responsabilidade, embora Ricardo Teixeira tenha dito, anteriormente, que o coordenador teria mais poder que o técnico. "Quem toma essa decisão é o Leão", disse Lopes.Esse tipo de atitude acaba desgastando a imagem do Brasil no exterior, principalmente por causa da presença de jornalistas estrangeiros no hotel da delegação. Afinal, a seleção tetracampeã do mundo é notícia em vários países. "É muito difícil tentar fazer qualquer trabalho na seleção brasileira", lamentou David Opoczynsky, repórter do ?Le Parisien?, importante jornal da França. "É mais fácil falar com o presidente dos Estados Unidos." O jornalista europeu está acompanhando a equipe brasileira desde a semana passada, em Los Angeles. Ele foi enviado por sua empresa para fazer uma entrevista com Ronaldinho Gaúcho, que deverá ser apresentado em julho como reforço do Paris Saint-Germain. Conseguiu fazer seu trabalho apenas nesta terça-feira, depois de seis dias perseguindo o jogador.

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