Leão pipoca e não faz revelações

O ex-técnico da seleção brasileira Émerson Leão ?pipocou? hoje ao falar da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Não cumpriu a promessa feita quando retornou ao Brasil depois da disputa da Copa das Confederações de revelar tudo o que sabia. E, na concorrida entrevista coletiva para dezenas de jornalistas, divulgou a lista de convocação para o jogo com o Uruguai que entregou ao presidente Ricardo Teixeira pouco antes de ser demitido. Alguns nomes irritaram o dirigente e foram decisivos para sua saída do comando do time. Entre outros, apareceram Leomar e Júlio Baptista. Leão alegou que não falaria sobre ?as muitas coisas que sabia? porque não teve oportunidade de conversar com Teixeira desde que deixou o cargo. Garantiu que nunca houve interferência em suas convocações e disse que errou ao aceitar as imposições de não chamar os jogadores que queria para o torneio disputado no Japão e na Coréia do Sul. ?Sabia que se não fôssemos bem na Copa das Confederações haveria pressão, mas o Teixeira havia dito ao Antônio Lopes (coordenador técnico) que essa copa era um torneinho, que o fundamental seria o jogo com o Uruguai?, declarou ele, que garantiu não se sentir traído. O técnico ressaltou que foi vítima de uma cultura negativa de se demitir treinador, pediu mais apoio do Sindicato e comentou que a seleção vive um dos piores momentos de sua história, mas vai se classificar para a Copa. Ele não se sentiu constrangido em mostrar total desprezo à Nike, patrocinadora da CBF. Durante a Copa das Confederações, apareceu em público com um tênis da marca Adidas e irritou dirigentes da CBF e da multinacional. Outro incidente que ajudou a derrubá-lo. ?A Nike para mim é um zero à esquerda, ela é patrocinadora da CBF, não minha.? Por ter usado um equipamento da concorrente, Leão recebeu uma advertência. ?Foi um alerta, mas não chegaram a me chamar a atenção.? Boicote? ? Leão deu a entender que pode ter sido boicotado. Contou que ligou para Jardel e Mauro Silva para convocá-los para a Copa das Confederações, mas eles não atenderam ao chamado. ?Ninguém sabia disso, mas liguei para o Jardel e ele me disse que estava com hérnia de disco e o Mauro Silva também alegou estar machucado.? O treinador lembrou a maioria dos nomes dos jogadores que chamaria para a partida contra o Uruguai, pelas eliminatórias: Rogério Ceni, Dida, Cafu, Zé Maria, Serginho, Léo, Lúcio, Edmílson, Leomar, Vampeta, Fábio Rochemback, Júlio Baptista, Ricardinho, Juninho Paulista, Rivaldo, Ewerthon e Romário. Várias diferenças em relação ao time de Luiz Felipe Scolari. Antônio Carlos, Roberto Carlos e Élber, por exemplo, nem sequer seriam chamados. Leão elogiou seu substituto no comando da seleção, mas deixou escapar que o goleiro são-paulino não poderia ficar fora da equipe. ?Convocaria o Rogério, não poderia deixá-lo fora.? Scolari preferiu Marcos e Dida. Antes de encerrar a coletiva, Leão disse que pretende trabalhar num clube no Campeonato Brasileiro, não descarta uma volta à seleção e garantiu que vai encerrar a carreira de treinador num curto espaço de tempo. ?Quero trabalhar como treinador no máximo até os 60 anos, depois vou ser coordenador ou empresário.?

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