Leão satisfeito: "Honramos a tradição"

De xingado pela torcida do São Paulo no primeiro tempo a ovacionado pelos palmeirenses no final do jogo, Emerson Leão partiu do inferno ao céu em 90 minutos. E foi para casa com a sensação do dever cumprido, apesar de não ter conseguido vencer sua ex-equipe. A reação alviverde bastou para ele. "Foi o espírito do Palmeiras no segundo tempo. O time honrou a tradição do clube, que é a de não ter medo de ninguém", declarou o treinador.Leão citou a bronca generalizada que deu na equipe durante o intervalo para explicar a sensacional reação na etapa final. "Entramos que nem bobos no primeiro tempo. O time parecia estar com medo. Mas, no intervalo, eles (os jogadores) tomaram um esporro. E, no segundo tempo, o medo mudou de lado. Quase saímos de campo ganhando."Leão prosseguiu: "Fomos coração. Mostramos o entusiasmo que o torcedor gosta de ver. Às vezes o time não vence, mas o torcedor vê o que gosta de ver, que é amor e transpiração na camisa". Além da bronca, Leão destacou as alterações que fez na equipe. "As mudanças deram certo. O Juninho entrou muito bem e o Warley fez o gol da vitória". Segundo o técnico, "não tinha motivo para continuar com três zagueiros. Prefiro arriscar e dormir tranqüilo".Foi o quinto jogo de Leão no Palmeiras, que continua invicto sob seu comando. A próxima partida do time é no domingo, contra o Juventude, em Caxias do Sul (RS).Retornando ao Morumbi para enfrentar sua ex-equipe, Leão foi abraçado antes do jogo por Rogério Ceni, Fabão, Josué e mais alguns reservas. No final, muitos outros, como o zagueiro Alex, foram até o treinador para oferecer a ele suas camisas. "E depois falam que os jogadores não gostam de mim...", ironizou o treinador.Na arquibancada, a torcida tricolor começou a pegar no pé de Leão logo após o segundo gol de Amoroso. O treinador ouviu calado. Depois, a caminho do vestiário, no intervalo, Leão ainda teve de ver dois de seus jogadores discutindo rispidamente no gramado: o volante Reinaldo e o atacante Gioino. O argentino chegou a dar um tapa no colega. Reinaldo reclamava da falha de Gioino no primeiro gol de Amoroso. O argentino retrucava, jogando na cara do volante as falhas no sistema defensivo e, principalmente, na saída de bola. Ambos ouviram horrores de Leão no vestiário. E voltaram melhores para o segundo tempo.Outro fato que desagradou bastante ao treinador foi a suspensão por mais um jogo do lateral-direito Baiano, por causa da bolada que deu no atacante Tevez, do Corinthians, no clássico do dia 10 de julho. Baiano já havia cumprido dois jogos, mas foi julgado novamente ontem. Ele desfalca o Palmeiras no jogo de domingo, contra o Juventude, em Caxias do Sul.A suspensão pegou de surpresa a todos no Palmeiras. "Ninguém do nosso departamento de futebol sabia desse julgamento. Ficamos perplexos. Mas não vou falar nada, não. Posso acabar sendo julgado de madrugada", ironizou Leão.Nesta quinta, o Palmeiras acertou o empréstimo do atacante Ricardinho ao Grêmio. Na terça, Alex Afonso já havia acertado com o Fortaleza. A liberação desses dois jogadores faz parte do projeto de enxugamento do elenco proposto por Leão. A intenção do treinador é contar com no máximo 28 atletas.

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