Leão tenta superar crise após maus resultados do Santos

Técnico age rápido ao mau momento: exigiu a volta de Kléber aos treinos e tirou garotos de suas férias

Sanches Filho, Especial para O Estado de S. Paulo

25 de janeiro de 2008 | 20h42

Emerson Leão disse nesta sexta-feira que vai ter muito trabalho para recolocar o Santos no caminho certo, e que a atual situação é tão difícil que pode comprometer até a participação do time na Copa Libertadores da América - o primeiro jogo será contra o Cúcuta, dia 13 de fevereiro, na Colômbia. Os muros do CT do clube voltaram a ser pichados, após a derrota na quinta para o Juventus, por 3 a 1. O técnico agiu rapidamente para debelar possíveis focos de descontentamento, exigiu que Kléber fosse treinar em campo, à tarde, e acabou com as férias de quatro garotos que foram destaques na Copa São Paulo Júnior. E dois deles entram direto no time para o jogo contra o Bragantino, domingo à noite, na Vila Belmiro. Carleto na lateral-esquerda - Kléber tem poucas chances de voltar e Carlinhos fica fora para ser preservado -, e Tiago Luís, ao lado de Kléber Pereira, são os novos titulares do Santos. Após o vexame do time na derrota por 3 a 1 diante do Juventus, quinta-feira, em Santo André, Leão agiu rapidamente para tentar controlar a crise. De volta ao Centro de Treinamento Rei Pelé, onde tem pernoitado desde quarta-feira, o técnico reuniu os jogadores para discutir as declarações de Fábio Costa e Kléber Pereira. O goleiro disse que estava envergonhado com a atuação da equipe e que faltou homens em campo, e o centroavante afirmou que alguns jogadores estavam se escondendo. "Os dois se desculparam. Eles usaram palavras erradas, na hora errada", sintetizou Leão. Em seguida, ele se reuniu com o presidente Marcelo Teixeira e ambos concluíram que contratar por contratar ou para agradar a torcida não resolve os problemas do time. Teixeira repetiu o discurso de apoio ao trabalho do técnico e disse. "Se você descobrir algum bom nome me avisa." Até a tarde desta sexta, o Santos não estava tentando nenhuma contratação, embora Leão tenha assistido inúmeros DVDs de jogadores paraguaios, bolivianos, colombianos e peruanos. "O Brasil passou a ser o Shangri-lá (cidade maravilhosa) dos jogadores dos países sul-americanos que não conseguem ir para a Europa." Em conversas individuais com Carleto, Paulo Henrique, Alemão e Tiago Luís, Leão pediu para que eles façam no profissional o mesmo que nos times da base. "Falei que a bola é redonda em todas as categorias, e que o gramado aqui é a mesma coisa. Não tem porque não escalar os jovens. Aqui (no elenco profissional) tem mais garotos do que no juvenil." Dos quatro jogadores promovidos, apenas Paulo Henrique renovou contrato até 2013, os demais estão negociando. "Já dei alguns xeques-mate pela manhã, e foi rapidinho o negócio. O que não pode é adiar a conversa", disse o técnico na tarde desta sexta, deixando no ar que pode estar havendo má vontade por parte de alguns jogadores. Ao ser perguntado se jogadores derrubam técnico, Leão respondeu: "Se fosse há 30 anos, eu diria que era impossível; se fosse há 20 anos, que era impossível; há 10 anos, comecei a pensar, e agora tenho certeza que sim." Apesar do descontentamento com os três primeiros resultados do Campeonato Paulista, Leão acha que seria pior se isso tudo acontecesse mais para frente. "Graças a Deus que foi agora." Destacou que o Santos sofreu os dois primeiros gols em momentos em que estava melhor na partida e perto de abrir o marcador e que o resultado foi enganoso. "Deveria ser 5 a 3. Ainda bem que fizemos um gol. E olhem que eu nem estou reclamando do pênalti", concluiu. Pichação Os muros do CT Rei Pelé voltaram a ser pichados após a derrota do time contra o Juventus. E, novamente, Leão e Betão foram citados. As frases usadas foram: "Fora, Leão", "Betão, segunda divisão", "Vergonha" e "Isso é humilhação". Leão disse que esse tipo de protesto perde a graça depois da primeira vez. E ironizou, ao comentar o fato de Betão ser o único jogador a aparecer nas pichações. "Quem picha só sabe escrever Betão. Wesley e Patrick ele não deve saber escrever", ironizou, referindo-se a atletas do elenco com nomes mais difíceis.  Adailton saiu em defesa de Betão e Carlinhos, que sofrem pressão de parte da torcida. "É o momento de mostrar que a gente é um grupo. Esse tipo de coisa dói em mim e dói em todos os jogadores." Peso Fábio Costa e Domingos voltaram das férias bem acima do peso. O zagueiro já perdeu sete quilos, e o goleiro perdeu três numa primeira etapa, mas aumentou um e meio nos últimos dias.

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