Leão vira o paizão do Palestra Itália

O homem que ressuscitou o Palmeiras no Campeonato Brasileiro saiu do Santos e do São Paulo com fama de vencedor ? e de arrogante. Leão não perdeu a pose no Palestra Itália, mas está diferente. Percebendo a fragilidade do seu time ? o centroavante Washington, por exemplo, foi chorar no vestiário após ter sido sacado do time 13 minutos depois de ter entrado contra o Cruzeiro, no sábado ?, Leão mudou seus modos, adotou o time e hoje é o paizão dos jogadores.E a ?família Leão? terá dois jogos para mostrar que é mesmo muito unida dentro e fora de campo. Na quarta-feira, enfrenta o Santos na Vila Belmiro ? e domingo o Goiás, no Palestra. Duas vitórias colocarão o Palmeiras (atual 6.º colocado, com 42 pontos) definitivamente no pelotão de elite do campeonato.Mandando em tudo no clube que o revelou para o futebol, Leão parece feliz e em casa. Na hora do treino, ele mantém a seriedade, mas não esquece de acariciar o ego de seus jogadores.?Esse time tem muita cumplicidade, isso é ótimo?, sempre repete o treinador para seus auxiliares mais próximos. Em resumo: Leão está criando a mesma atmosfera que Felipão respirou quando se tornou a principal estrela do Palmeiras, que chegou a disputar o título mundial.?Os jogadores respeitam o professor Leão. E sentimos que ele nos respeita?, fala Marcinho Guerreiro, que no sábado recebeu o seu costumeiro terceiro cartão amarelo e está suspenso.Os elogios de Leão aos jogadores são curtos, mas surtem efeito. Ele está orgulhoso com o poder de superação do time. Hoje, as crises são ultrapassadas com calma porque normalmente param na figura do treinador e não alcançam os atletas.A última turbulência aconteceu sábado, quando Washington entrou no segundo tempo no lugar de Gioino, jogou apenas 13 minutos e foi substituído por Roger. Em outros tempos viria um temporal. É só lembrar o que fez Diego Souza, na mesma situação, ao ser substituído por Estevam Soares: saiu cuspindo fogo, derrubou o chefe e foi parar no Japão.É ao contrário com Leão: os jogadores e o próprio técnico usaram o episódio para mostrar união e força. Todo o elenco se solidarizou com Washington, mas entendeu as razões do comandante. ?Quando chegamos no vestiário, encontramos o Washington chorando num canto. Fomos lá dar um abraço nele e, na hora da oração, dedicamos a vitória a ele?, disse o volante Roger, que deve enfrentar o Santos.O próprio Leão entendeu a humilhação de Washington. ?Felizmente ele tem uma cabeça excelente e entendeu a alteração. Ele não estava bem no jogo, por isso saiu. Tenho certeza de que ele será muito útil ao time?, afirmou o goleiro Sérgio.Há mais um motivo para tanta confiança no Palestra Itália: o segundo tempo da partida contra o Cruzeiro, quando mesmo com um jogador a menos ? o lateral-esquerdo Fabiano foi expulso ainda no final da etapa inicial ?, o Palmeiras encontrou forças para reagir, marcar o gol da vitória com Gioino e segurar o resultado até o final. ?Nosso time mostrou poder de superação. Todos ajudaram?, admitiu Marcinho.Os jogadores prometem não perder o foco. O capitão Sérgio puxa a fila. ?Se vencermos estes dois jogos, mostraremos que temos condições de brigar pelo título. É o momento certo para deslanchar. Veremos até onde somos capazes de chegar?, avisou.

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