Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

Em votação tranquila, Leco é eleito presidente do São Paulo até 2017

Dirigente ocupava o cargo interinamente após a saída de Aidar

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

27 de outubro de 2015 | 21h54

Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, ganhou na noite desta terça-feira a eleição para a presidência do São Paulo. O dirigente, que ocupava o cargo interinamente após a renúncia de Carlos Miguel Aidar, derrotou Newton Ferreira por 138 a 36, com 19 votos em branco. A reunião extraordinária do Conselho Deliberativo, no Morumbi, teve presença de 193 dos 240 membros do órgão. Leco terá mandato até abril de 2017.

A votação começou por volta das 20h. Os conselheiros votaram em cédulas de papel em processo que levou cerca de 1h20. O resultado saiu por volta das 21h50. Primeiramente depositaram a escolha na urna os membros mais velhos do órgão, depois a sequência seguiu a ordem alfabética. Na apuração, o presidente da mesa, Marcelo Pupo, leu em voz alta cada um dos votos, inclusive quem foi o respectivo eleitor.

O pleito por pouco não ocorreu. Somente depois das 18h o São Paulo conseguiu cassar uma liminar da oposição que impedia a votação. Um grupo de conselheiros entrou na Justiça para reclamar do curto prazo entre a renúncia de Aidar e a convocação da nova escolha do presidente. No entender deles, o período de 14 dias foi uma manobra para dificultar a articulação de oponentes. Leco, porém, recorreu da decisão e conseguiu confirmar a realização da reunião do Conselho.

Leco é advogado, tem 77 anos e mais de 30 anos como conselheiro do São Paulo. Atuou na diretoria como superintendente de futebol e vice-presidente durante a gestão de Juvenal Juvêncio e entre abril de 2014 e outubro deste ano ocupou o cargo de presidente do Conselho Deliberativo enquanto Carlos Miguel Aidar esteve na presidência. Ao renunciar, o dirigente deixou o comando interino com Leco, que convocou as eleições e saiu como vencedor.

A chegada ao cargo poderia ter sido antes, em abril de 2014. Quando articulava a sua sucessão após oito anos no comando, Juvêncio tinha Leco como uma das opções. Mas preferiu montar a chapa com um ex-presidente e chamou Aidar, que apesar de ter sido o comandante do clube entre 1984 e 1988, estava distante da vida política do São Paulo. O então presidente decidiu nomear Leco como presidente do Conselho Deliberativo quando montou a chapa.

Com um mandato até abril de 2017 e a possibilidade de concorrer à reeleição por duas vezes, Leco pode ficar sete anos e meio como presidente. No período inicial a tarefa do dirigente será de reestruturar a diretoria, já que todos os membros pediram demissão coletiva no fim da gestão de Aidar. A tendência é o novo presidente compor a cúpula com antigos integrantes e chamar outro que haviam se desentendido com o antecessor.

O vice-presidente de futebol Ataíde Gil Guerreiro, pivô da crise política de Aidar, já voltou ao cargo logo no primeiro dia da gestão interina de Leco. Outro a retornar foi o diretor executivo (CEO) Alex Bourgeois, demitido em setembro após uma briga durante reunião da cúpula são-paulina. A tendência é a volta também do gerente executivo de futebol Gustavo de Oliveira, sobrinho do ex-meia Raí, que saiu do clube em maio.

Na plataforma de campanha, Leco prometeu profissionalizar a gestão do São Paulo e deve ter como aliado para resolver a crise financeira o empresário Abílio Diniz, outro desafeto de Aidar. O clube tem uma dívida total de quase R$ 300 milhões e deve apostar na contratação de uma auditoria e montagem em grupos especiais de trabalho para conseguir melhorar o quadro.

Leco tem como planos investigar as denúncias de corrupção que levaram a Aidar renunciar. O ex-presidente foi acusado por ex-membros da diretoria, como Ataíde, de desviar dinheiro de contratações e elaborar contratos para favorecer a empresa de sua namorada, Cinira Maturana.

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