Legião de kakazetes invade Fortaleza

O fã clube de Kaká espalha-se com rapidez por todo o Brasil. Em Fortaleza, adolescentes passam horas atrás das grades que separam o Hotel Marina Park da Avenida Castelo Branco, com a esperança de um simples aceno de Kaká, da janela de um dos quartos. Elas vêm até de cidades vizinhas, como Maranguape, a fim de tentar um contato com o ídolo. Brigam com os namorados, discutem com os pais, não se alimentam na hora devida, faltam as aulas, tudo por causa da presença do jogador do São Paulo na capital do Ceará. As amigas Larissa Xerez, de 13 anos, Lívia Barros e Flávia Oliveira, ambas de 14 anos, cursam a 8ª série do Colégio Militar de Fortaleza e nesta terça-feira abriram mão do almoço para ver Kaká de perto. "Na Copa do Mundo, eu torcia para a seleção fazer muitos gols para que mostrassem o pessoal do banco de reservas comemorando; era a única chance de ver o Kaká", contou Flávia, colecionadora de fitas de vídeo com jogos do Brasil. "Eu sei de todos os gostos do Kaká, guardo todas as entrevistas dele", disse Lívia. Uniformizadas, as três aguardaram a saída de Kaká do hotel para o treino da tarde com bloco e caneta. Havia um pequeno cordão de policiais para dar proteção aos jogadores e evitar o assédio das torcedoras. Elas não se intimidaram e conseguiram a atenção do meia-atacante do São Paulo. "Ele me deu um beijo no rosto, ele é lindo", festejou Larissa, destacando uma das principais qualidades de Kaká. "É humilde, não se deixa iludir pela fama." Nos pequenos detalhes é possível às fãs encontrar algo que possa lhes aproximar de Kaká. A estudante Melka Freitas, de 14 anos, veio do Colégio Juvenal de Carvalho, em Maranguape, para a porta do Marina Park com um poster de Kaká. Queria um autógrafo. Mais do que isso, precisava contar ao ídolo o desfecho do último namoro. O rapaz com quem trocava beijinhos e poemas não se conformou ao ver no caderno da menina uma estranha assinatura, repetida centenas de vezes entre desenhos de corações: Melkaká. Ela juntava a última sílaba do seu nome com a primeira de Kaká para manifestar seu afeto pelo craque do São Paulo. "Não me arrependo do que aconteceu. Eu amo o Kaká." Há ainda as mais organizadas que pensam até em formalizar o fã clube do jogador em Fortaleza. Como a evangélica Sinara Miranda, de 14 anos. Ela está cadastrando outras adolescentes para criar um grupo que terá como principal objetivo levantar dados da vida de Kaká. "Já tenho uma lista grande, mas ainda estamos discutindo se vamos incluir meninos no clube." Para Aline Almada, de 19 anos, o que mais impressiona em Kaká é seu estilo de jogo. "Na hora em que pega na bola, eu me arrepio; não sei explicar." Enquanto esperam pela passagem do caçula da seleção, todas conversam em voz alta. Joyce Girão, de 14 anos, vai logo avisando: quer namorar Kaká. Mas é contestada pelo grupo. "Você diz que o mais bonito é o Roberto Carlos, não venha de gracinha com o Kaká", protesta Sinara, candidata única à presidência do fã clube do novo galã da seleção.

Agencia Estado,

20 Agosto 2002 | 19h49

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