Fabrice Coffrini/AFP
Fabrice Coffrini/AFP

Leia a carta que Platini mandou para as federações, como a CBF

Cartola pede Fifa única e critica 50 anos nas mãos de dois dirigentes

Jamil Chade, correspondente em Genebra, O Estado de S. Paulo

29 de julho de 2015 | 09h45

Michel Platini trabalha com cautela e inteligência. Na véspera, soltou a informação de que poderia ser candidato a presidente da Fifa para saber como o mundo do futebol se manifestava. Não recebeu resistências. Nesta quarta, oficializou sua disputa para ocupar o cargo de Joseph Blatter na Fifa.

Sua primeira providência foi 'conversar' com o mundo, sair de seu reduto, a Europa, e buscar novos parceiros, como demonstra a carta, conseguida pelo Estado, que o dirigente mandou para todas as confederações de futebol, como a CBF, presidida por Marco Polo del Nero. A CBF, diga-se, sempre esteve afinada com o poder, primeiramente ao lado do brasileiro João Havelange e depois com Blatter. Foi assim com Ricardo Teixeira, José Maria Marin e deverá ser Del Nero.

Platini 'vende' sua bonita carreira de jogador e o que aprendeu nos cargos que ocupou na Fifa e Uefa. "Á frente da Uefa, reuni o continente europeu em torno de um projeto agregador. Dei a cada federação, de maior ou menor dimensão, o lugar que ela merece. Agora, é o nível mundial que ambiciono oferecer a todas as federações um projeto comum."

CARTA À CBF

Exmo. Sr. Presidente,

Exmo. Sr. Secretário-Geral,

Vou candidatar-me à presidência da FIFA.

Quero que vocês, que servem o futebol liderando a federação do vosso país, sejam os primeiros a saber.

Há alturas na vida em que é necessário tomarmos o destino nas nossas mãos. Encontro-me num desses momentos decisivos, onde o meu percurso de vida se cruza com os acontecimentos que traçam o futuro da FIFA.

Há mais de 50 anos que o futebol está no centro da minha vida. Nunca deixou de ser uma paixão; continua a ser o que me motiva e me entusiasma. Enquanto jogador e selecionador nacional, o futebol foi para mim um terreno de jogo inspirador. No exercício das funções que desempenhei na Federação Francesa, no Comité Executivo da FIFA e enquanto Presidente da UEFA, tornou-se um terreno de responsabilidade. Fez-me crescer e amadurecer. Deu-me tudo o que poderia desejar enquanto jogador e, com o passar dos anos, fez de mim um homem realizado e um dirigente responsável.

Durante este quase meio século, a Fifa apenas conheceu dois presidentes. Esta extrema estabilidade é uma espécie de paradoxo, num mundo que sofreu mudanças radicais e num desporto que assistiu a uma transformação econômica considerável. Mas os recentes acontecimentos obrigam a organização que tutela o futebol mundial a reformar-se a si própria e a repensar a sua governação.

Nos últimos meses, defendi as ideias e propostas que tenho para devolver à Fifa o lugar e a dignidade que ela merece. O congresso eleitoral extraordinário marcado para 26 de fevereiro de 2016, no qual será eleito o novo Presidente, dá-me a oportunidade de passar das palavras ao atos. Assim o farei.

É uma decisão muito pessoal, cuidadosamente ponderada, que implicou uma avaliação do futuro do futebol e do meu próprio percurso. É igualmente a consequência das calorosas manifestações de estima, apoio e incentivo que muitos de vós me demostraram.

À frente da Uefa, reuni o continente europeu em torno de um projeto agregador. Dei a cada federação, de menor ou maior dimensão, o lugar que ela merece. Agora, é a nível mundial que ambiciono oferecer a todas as federações um projeto comum. A minha vontade é fazê-lo juntando todas as confederações num único objetivo: reunir o planeta do futebol, dando voz a todos e respeitando a diversidade do nosso desporto no mundo inteiro.

Assumo esta candidatura com entusiasmo e convicção, mas também com a humildade de quem sabe que não conseguirá ter sucesso sozinho. Conto com o vosso apoio e com o amor que partilhamos pelo futebol para que, em conjunto, possamos oferecer às dezenas de milhões de adeptos apaixonados pelo nosso desporto a Fifa que ambicionam: uma Fifa exemplar, unida e solidária, uma Fifa respeitada, amada e popular.

Asseguro, Senhor Presidente, Senhor Secretário-geral, a minha total dedicação à causa do futebol.

Os meus melhores cumprimentos,

Michel Platini

 

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