Leila Pereira/ Twitter
Leila Pereira/ Twitter

Leila Pereira é eleita primeira presidente mulher na história do Palmeiras

Empresária era candidata única no pleito realizado neste sábado e sucede Maurício Galiotte no cargo mais eminente do clube

Ricardo Magatti, O Estado de S.Paulo

20 de novembro de 2021 | 17h09

Leila Pereira é a nova presidente do Palmeiras. Sem adversários no pleito, a empresária dona da Crefisa e FAM, patrocinadoras do time alviverde, confirmou o que era esperado e foi eleita neste sábado para ocupar o cargo mais eminente do clube pelos próximos três anos. Ela se tornou a primeira mulher a presidir o Palmeiras em toda a sua história e sucede Maurício Galiotte, que esteve à frente da agremiação nos últimos cinco anos.

Como candidata única no pleito, ela precisava obter mais de 50% dos votos entre os sócios presentes na eleição deste sábado, que começou às 8h e terminou no fim da tarde. Recebeu 1.897 votos entre os 2.141 presentes no ginásio poliesportivo do clube social (cerca de 88,6%) e foi eleita. Será a 40ª presidente do clube desde que foi fundado em 1914. Na Assembleia Geral de associados, foram habilitados a votar todos os titulares adimplentes com mais de três anos de matrícula.

Mario Giannini, ex-diretor do clube, enfrentaria Leila no pleito, mas a oposição desistiu de lançar um candidato. Sem conseguir se unir, a oposição preferiu não lançar um concorrente para não perder de larga vantagem nas urnas. O grupo ligado ao ex-presidente Paulo Nobre inviabilizou uma frente ampla, deixando o caminho livre para a dona da Crefisa e da FAM ser eleita.

A nova diretoria do Palmeiras será empossada no dia 15 de dezembro. O mandato tem duração de três anos. Leila terá como primeiro vice-presidente Paulo Buosi, único remanescente da gestão de Galiotte. Maria Tereza Ambrósio Bellangero, Neive Conceição Bulla de Andrade e Tarso Luiz Furtado Gouveia são os outros vices.

Inscrita na chapa "Palmeiras de Todos", que havia sido aprovada em outubro por 67% dos membros do Conselho Deliberativo, Leila Pereira começou sua campanha há algum tempo e sempre contou com a aprovação majoritária dos conselheiros, uma vez que venceu as duas eleições que disputou para conselheira. Foi a mais votada da história nas duas ocasiões, recebendo 248 votos em 2017 e 387 em 2021, ano em que foi reeleita.

Após a eleição, Leila disse que uma de suas prioridade será montar um time vitorioso. "Chega de protagonismo. Protagonistas já somos, queremos ser vitoriosos. Não quero segundo lugar, quero o primeiro. Vamos trabalhar por isso", afirmou ela, que também assegurou que vai trabalhar para reaproximar o torcedor do clube.

"Nosso grande patrimônio está fora do clube. Eu vou continuar fazendo o trabalho com o associado, mas temos de olhar esta multidão fora do muro, dar acesso ao nosso clube, proximidade, com possibilidade de comprar ingressos acessíveis, o torcedor poder comprar uma camisa compatível, que ele possa comprar. Eu vou trabalhar muito fortemente nisso", prometeu.

Em sua campanha, Leila havia prometido além de um "time vitorioso" para os próximos anos, "excelência em gestão", "transparência", "inclusão", "atenção ao sócio" e um "clube social moderno".

Em reunião com associados no início deste mês, a empresária já havia manifestado a intenção de abaixar o preço dos ingressos, fortalecer o programa de sócio-torcedor Avanti e estreitar a relação com os torcedores, que passaram a se distanciar do clube, sobretudo, em razão da alto valor dos bilhetes para ir aos jogos no Allianz Parque.

Hoje, o torcedor tem de pagar R$ 80 pela entrada mais barata para assistir às partidas do Brasileirão na arena palmeirense, que não tem lotado como antes da eclosão da pandemia de covid-19. Ela também entende que o preço cobrado pela camisa do Palmeiras, fabricada pela Puma, pode ser reduzido. "O Palmeiras vai estar aonde o torcedor estiver. O acesso do nosso torcedor ao nosso time vai ser muito próximo", falou a nova mandatária.

A uma semana para o jogo mais importante do ano para o Palmeiras, a final da Libertadores contra o Flamengo, em Montevidéu, Leila não fala publicamente sobre reforços. Contratações para a próxima temporada e outros assuntos só serão discutidos após a decisão no Uruguai, mas o Estadão apurou que a nova presidente planeja trazer jogadores importantes.

A tendência é de que não cheguem muitas caras novas, mas a ideia é que se invista em qualidade, em atletas que sejam contratados para ser titulares e ocupar posições carentes do elenco. Um lateral-direito e um centroavante são as prioridades. A renovação de Felipe Melo também precisa ser discutida. "Todas as definições serão feitas por nosso time técnico. O que for melhor para o Palmeiras será feito", limitou-se a dizer.

Antes de ser empossada, Leila enfrenta críticas provocadas por um possível conflito de interesses por ser presidente da Crefisa e da FAM e, agora, do Palmeiras. Ela afirmou reiteradamente que não vê "incompatibilidade" nessa situação e que se houver algum problema encaminhará o caso para o Conselho Deliberativo.

E também avisou que se afastará da administração de suas empresas para gerir o clube. Ela disse não descarta ouvir propostas de "patrocinadores idôneos que queiram colaborar com um valor superior ao que eu colaboro".

Até para evitar controvérsias, ela tratou de renovar em agosto passado o contrato de patrocínio com o clube por mais três anos, período em que comandará o clube. As suas empresas investiram cerca de R$ 1 bilhão na equipe desde 2015.

"É uma grande honra poder fazer parte dessa família e ajudar a construir essa história vencedora. Todos sabem que somos grandes anunciantes em mídia, mas nada se compara à camisa do Palmeiras", disse ela quando o acordo foi estendido. O Palmeiras recebe mais de R$ 80 milhões anualmente, podendo obter R$ 120 milhões com metas atingidas.

Mais sobre Leila Pereira

Presidente da Crefisa, do Centro Universitário das Américas (FAM) e gestora de outras 11 empresas do grupo, Leila Mejdalani Pereira tem 57 anos e é natural da cidade de Cambuci, no Rio de Janeiro.

Formada em Jornalismo e Direito, assumiu o comando da Crefisa em 2008. A vocação para os negócios, potencializada pelo incentivo do marido José Roberto Lamacchia, fez com que Leila entrasse no universo empresarial e se tornasse executiva.

O acordo de patrocínio, o maior do futebol sul-americano foi fechado com a Crefisa e a FAM pelo ex-presidente Paulo Nobre em 2015. O dirigente rompeu com Leila posteriormente, mas ela não desfez a parceria. Pelo contrário. Aproximou-se de Galiotte e da Mancha Alviverde, principal torcida organizada da equipe, reforçou alianças, se manteve presente na rotina do clube e preparou o terreno até se tornar presidente.

A empresária participou da reestruturação do Palmeiras e viu o investimento de suas empresas refletir nos títulos da Copa do Brasil de 2015 e 2020 e do Campeonato Brasileiro de 2016 e 2018, além das conquistas do Campeonato Paulista e da Libertadores, ambas em 2020.

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