Divulgação/Palmeiras
Divulgação/Palmeiras
Imagem Robson Morelli
Colunista
Robson Morelli
Conteúdo Exclusivo para Assinante

Leila Pereira ouve as primeiras broncas no Palmeiras e tem problemas para administrar após o Mundial

Presidente é cobrado por um camisa 9 de peso, depois da saída de Luiz Adriano, terá de segurar Abel Ferreira até o fim da temporada e sustentar seu assessor no clube

Robson Morelli, O Estado de S.Paulo

17 de fevereiro de 2022 | 10h26

A presidente Leila Pereira começa a enfrentar os primeiros problemas em sua gestão. Antes responsável apenas em colocar mais dinheiro no Palmeiras, condição que a levou ao cargo atual, agora ela tem de administrar tudo o que ocorre no clube, do futebol ao social, passando pelas bases e por outras modalidades esportivas. Os gritos partiram das redes sociais, a maneira mais rápida de protestos no futebol. Leila é cobrada por três motivos: a falta de um camisa 9 no Palmeiras, sua exposição considerada demasiada por torcedores nas redes e a parceria com seu assessor, o jornalista Olivério Jr, que parte da torcida acusa de ser corintiano.

A torcida do Palmeiras, ou parte dela, manteve-se quieta até o Mundial de Clubes da Fifa. Agora, as manifestações começam a pipocar contra a presidente, que só tem três meses no cargo. Ela sabe que há muito o que fazer, mas que o caminho do Palmeiras não é ruim. O time continua nos trilhos mesmo após a perda do jogo para o Chelsea. Lidera a classificação geral do Paulistão, ainda sem perder em cinco partidas, e vai se preparando para as outras competições da temporada. Dia 23, pode ganhar uma taça, a da Recopa, contra o Athletico Paranaense. É um dos times mais fortes do futebol brasileiro.

Mas Leila sabe que não há crédito nem para ela. A torcida pegou no seu pé após ouvir da boca do treinador Abel Ferreira que ele não pretende insistir no pedido de um camisa 9 para o time. O Palmeiras não tem esse jogador no elenco. Rony tem ajudado, Deyverson é uma opção para o segundo tempo e ainda há Breno Lopes e Navarro, mas nenhum deles preenche a necessidade do técnico. "Vamos focar em nossos recursos", disse Abel, encerrando o assunto.

Há ainda um contratempo que começa a ganhar fôlego no clube, que é a permanência de Abel. Ele não diz com todas as letras que permanecerá até o fim da temporada. Em maio, existe a possibilidade de clubes da Europa procurarem o treinador, agora mais maduro e com títulos na bagagem para mostrar. São dois só da Libertadores e a boa impressão deixada em Abu Dabi.

O calendário brasileiro e o eterno descontentamento do torcedor são desculpas que podem fazer com que ele repense sua estadia no Brasil. Isso só será resolvido no Palmeiras quando ele disser que vai ficar. A diretoria acredita nele, mas terá de administrar suas inquietudes. "Eu tenho contrato", foi o que disse o treinador nesta semana.

Agradar a todos é impossível. Nem a dona da patrocinadora que já investiu aproximadamente R$ 1 bilhão no clube desde 2015 deve conseguir isso em sua gestão. Leila foi candidata única nas eleições e tem sido a mais votada nas disputas que tenta no Palmeiras, como para conselheira. Isso tem peso. Ela também sempre foi ativa nas redes sociais, mas tinha outra função, a de sustentar o clube com patrocínios anuais de R$ 80 milhões por ano. A forma com que esse dinheiro era usado, não estava em seu controle. Agora está. E a torcida cobra.

A não contratação de um camisa 9 tem sido seu calcanhar de Aquiles. Jogador dessa posição faz falta para muitos outros clubes. Há uma secura no mercado brasileiro. Muitos são apostas. O torcedor do Palmeiras queria um atacante pronto, de peso, capaz de encorpar o time e empurrar as bolas para dentro. Leila já avisou que vai olhar para a base, como foi a política austera de seu antecessor Mauricio Galiotte.

Quem esperava que o Palmeiras fosse jorrar dinheiro da Crefisa por ter a dona da empresa como presidente, se deu mal. Há torcedores ainda que se cansaram dos discursos da presidente nas redes sociais. Querem menos festa e mais ação. Nem todos são assim. Leila conta com o respeito de todos no clube.

Um outro desconforto que ela tem de administrar diz respeito ao seu assessor pessoal Oliverio Jr, renomado jornalista e empresário que milita na imprensa esportiva há décadas. Ele virou pessoa non grata no clube depois de ser flagrado batendo boca com torcedores no Allianz Parque. É acusado de ser corintiano e, por isso, muitos pegam no seu pé. Se o caso ficasse na arquibancada, Leila estaria tranquila, mas ele já foi para o conhecimento de alguns conselheiros do Palmeiras, a quem a presidente deve explicações das coisas do clube. Oliverio diz entender as manifestações dos palmeirenses, argumenta que isso faz parte do futebol, mas que está lá para ajudar e trabalhar e fazer o Palmeiras melhor do que era.

Leila trabalha com Oliverio há seis anos. Sua empresa foi contratada para prestar serviços de comunicação ao clube. "Não vou mudar minhas convicções por pressão da torcida", disse. O Palmeiras se prepara para suas principais competições no ano, como Brasileirão e Libertadores. E a presidente vai conhecendo um outro lado do futebol. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.