Lenda da Argentina, Fillol é escudeiro de Abbondanzieri

Na Seleção Argentina, quando o assunto é goleiro, convivem e trabalham juntos uma lenda e um ser comum. O treinador de goleiros e o pupilo. A lenda é Ubaldo Matido Fillol, campeão do mundo em 1978 e titular também em 1982. O súdito, sem brilho, é Roberto Carlos Abbondanzieri, goleiro do Boca Juniors que, aos 33 anos, disputa seu primeiro e único Mundial.Os números mostram uma carreira de pouco sucesso, em termos de Seleção. Ele assumiu o gol do Boca somente depois de muito tempo na reserva do colombiano Córdoba. Foi campeão da Libertadores e estreou na Seleção em 6 de junho de 2004, um empate por 0 a 0 com o Paraguai, pelas Eliminatórias. Já estava com 31 anos.Manteve-se no time, e desde então foram 22 partidas, mas nunca com a confiança total da torcida. Na Copa, o "Pato", como é conhecido, luta para não ser apenas mais um como os que vieram após Fillol, que só perdeu o lugar em 1986, após as Eliminatórias. Jogou Pumpido, um bom coadjuvante no time que tinha Maradona. A Abbondanzieri cabe ser um bom coadjuvante no time que não tem Maradona.Em 1990, Pumpido quebrou a perna na estréia, contra Camarões. Entrou Goycochea, ótimo defensor de pênaltis, mas também longe de ser o grande goleiro argentino. Depois vieram Islas, Roa, Cavallero e agora Abbondanzieri.Na entrevista coletiva, ele tenta passar confiança. Diz que é um bom goleiro e que está pronto para o Mundial. Mas definitivamente o tom é defensivo. Não há confiança nos repórteres e Abbondanzieri luta contra isso. Contra ele há um passado de bons goleiros que foram apenas isso. Bons goleiros. E o futuro, representado por Oscar Ustari, o terceiro goleiro, com apenas 20 anos, em quem os argentinos vêem todas as condições de ser aquilo que Abbondanzieri não será: uma lenda como Fillol.

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