Leonardo: não sou um ?tiro no escuro?

Depois do volante Mauro Silva, que nem chegou a entrar em campo, e do atacante Romário, ?escondido? no confronto com o Uruguai, o técnico Luiz Felipe Scolari elegeu o meia Leonardo como o seu líder para a partida contra o Paraguai, dia 15, pelas eliminatórias da Copa. Leonardo garante que sua convocação não foi ?um tiro no escuro?. Salienta que foi consultado por Felipão antes de ser anunciada a lista de convocados. ?É natural que ele fizesse isto. Pelo pouco que conversamos, achei um contato muito legal.?O meia são-paulino foi previamente escalado por Scolari já para o amistoso de quinta-feira, contra o Panamá. Trata-se de mais uma porta que se reabre para ele, após a ?deserção? em 1999, quando o comandante era Wanderley Luxemburgo. ?Talvez estivesse passando pela crise dos 30 anos. Não estava me sentindo bem?, lembra o jogador, que agora promete retribuir em dobro a confiança de Felipão.Aos 32 anos, Leonardo se considera um privilegiado no futebol. Nasceu em Niterói, terra habitada por gênios como Zizinho e Gérson, e de lá se revelou para o mundo. O atleta ainda mantém uma relação lírica com o Flamengo, clube que o lançou para o esporte. E se emociona cada vez que fala de Zico, a quem admirava ainda garoto ao assistir aos treinamentos do craque, com as mãozinhas agarradas nas grades do alambrado da Gávea.Depois, também se tornou ídolo como lateral-esquerdo do clube e, por onde passou, deixou rastros de amizade que se perpetuam por sua carreira. Só no São Paulo foi contratado por três vezes. No mês passado, sua despedida do Milan, depois de quase três anos, se assemelhou às calorosas ovações que receberam mitos como Rivera, Baresi, Gullit e Rijkaard. Não se conteve e chorou. ?O carinho dos italianos me comoveu demais. Desde então, só tive boas notícias.?MISSÕES - Já readaptado ao São Paulo, Leonardo considera o término de sua carreira um ponto muito distante no horizonte. Ainda há missões a serem cumpridas. A principal é ajudar a recolocar a seleção brasileira novamente no topo do futebol mundial. Mas ele sabe que não será fácil. ?É complicado para os técnicos e jogadores, principalmente os mais jovens?, observa. ?Também cheguei à seleção em um momento difícil, sob o comando do Falcão. E só me estabilizei quando o grupo se estruturou na Copa de 1994?, recorda-se, sobre a conquista do tetracampeonato naquele ano.Mas as dificuldades não impedem que ele veja o Brasil na Copa do Mundo de 2002. E um sorriso vem à sua face ao falar sobre a possibilidade de disputar seu terceiro mundial. ?Sonho em estar lá. Mas o caminho ainda é longo. O que posso fazer é me colocar à disposição e deixar acontecer?, comenta o jogador, que retornou em definitivo ao futebol brasileiro depois de passagens pelo Valencia, Paris Saint-Germain, Kashima Antlers e Milan.

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