Leonardo vê Neymar com limitação e cobra definição de sua posição

Ex-lateral-esquerdo afirma que atacante do Barcelona precisa de definir se é um 9 ou 10. "Nove e meio ou dez e meio não serve"

O Estado de S. Paulo

11 de agosto de 2014 | 23h12

Leonardo se destaca por não omitir suas opiniões. Nesta segunda-feira, o campeão mundial de 1994 foi ao Bem Amigos, do SporTV, e mandou um recado para o astro brasileiro Neymar. “Vi uma declaração dele de que aqui se treina pouco. Ele descobriu isso só aos 22 anos? Se tivesse um treinamento adequado desde os 18 anos estaria mais perto da perfeição, mas tem limitação.”

E Leonardo não falou da boca para fora. Ele ‘explicou’ o que acha que falta no atacante do Barcelona. “Neymar num raio de 360 graus, tem dificuldade. Ele se acostumou a jogar com uma linha (de jogadores) atrás. Tenho certeza que se você colocá-lo no meio, ele abre e deixa a equipe limitada”, afirmou.

Não satisfeito, foi além. “O Neymar tem de definir sua posição, hoje não é nem um nove nem um 10 e isso tem de ser definido. Jogar com um 9 e meio ou 10 e meio é complicado.”O treinador, que também atua na área de manager, usou até Zico para mostrar como os brasileiros estão errados em sua filosofia. Leonardo foi contundente ao mostrar os erros do nosso futebol, principalmente por causa do sentimento de que “brasileiro acha que nasce sabendo.”

“Precisamos melhorar na parte técnica, não estamos prontos. O Zico colocava uma camisa (no ângulo) e chutava 400 bolas (nos treinos). Daí no jogo ia e marcava os gols. Não sei quantos gols o Neymar de falta já fez, poderiam ser 100, mas precisa treinamento.”O ex-lateral-esquerdo acabou com o sonho de muitos torcedores que gostariam de vê-lo dirigindo clubes no País – “Minha vida ainda é um pouquinho na Europa, tenho coisas para resolver lá e não estou organizado para voltar” – e mandou uma aviso para a garotada que está no futebol europeu e se achando preparada para defender nossa bandeira.

“Se um menino foi embora novo é porque aconteceu um furo do sistema. Eles nem estão formados, taticamente, tecnicamente, fisicamente ou psicologicamente, desta maneira o risco de dar errado é grande”, avaliou. “Hoje você vê um menino de 17 anos passando por cinco clubes em dois anos, pelo fato de não estar adaptado aqui, ali, mas ele querer ir embora”, enfatizou. “A gente tem de acordar porque é nossa culpa, o clube precisa ter mais voz ativa, tem de sair da gaveta e dizer o que quer, tem de propor e se unir, porém só fica lutando pela coisinha dele.”

Já no assunto treinador, ele não vê motivo de a seleção ter ido buscar um estrangeiro. Desde que fosse um nome vencedor. Citou José Mourinho e Pep Guardiola.“Eu não tenho nada, pra mim brasileiro, alemão, português são a mesma coisa. Se a gente pode pegar os melhores, vamos sim, mas não por ser só estrangeiro. A Europa não é um paraíso, grandes clubes vivem em ilha dourada que outros sofrem. O Brasil tem até economia para ter um Mourinho e um Guardiola aqui. Podemos trazer europeu de qualquer área, mas ele tem de ser bom.”

Leonardo evitou muito o assunto seleção brasileira, não quis polêmicas, mas mandou uma mensagem. "Não acho que nosso futebol esteja defasado, mas acho que não existe intercâmbio com o grande centro. Brasil não se enfrenta diretamente com ele (Europa). Um time italiano pode ser ruim, mas não sofre grandes derrotas", enfatizou.

Seria uma indireta ao 7 a 1 da Alemanha? "Não, apenas uma constatação. Fiz curso de treinador, curso de estatísticas. Existe treinamento que se estuda tudo sobre os adversários."

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