Levir Culpi e seu dilema: Botafogo

Ex-jogador do Botafogo e responsável por tirar o time da Série B no ano passado, ficando em segundo lugar, atrás do Palmeiras, o técnico Levir Culpi depara-se neste domingo com uma situação considerada desagradável por ele mesmo: pode contribuir para que o time carioca retorne à Segunda Divisão. Tudo por que o Atlético-PR, equipe da qual é o treinador atualmente, necessita do triunfo para sonhar com a conquista do Campeonato Brasileiro."É uma situação desagradável, não é prazerosa, mas faz parte de nosso trabalho", diz Culpi. "Eu torço para que o Botafogo não seja rebaixado, porque mesmo perdendo eles ainda têm chance." Para isso, os cariocas precisam de derrotas do Atlético-MG (enfrenta o São Caetano) e Criciúma (pega o Coritiba) ou de no máximo um empate do Vitória (contra a Ponte Preta).Questionado sobre essa situação, mesmo porque iniciou o campeonato dirigindo o Botafogo nas duas primeiras rodadas, ele devolve a pergunta. "O que é que eu poderia fazer? Coloque-se em minha situação e veja o que você faria." A reviravolta em sua trajetória no Brasileiro é encarada de forma absolutamente normal. "Nada mais me surpreende no futebol", acentua. "Quando cheguei aqui senti logo firmeza e achei que faríamos grande campanha. E tinha essa convicção também no Botafogo, mas o nosso início lá foi péssimo, foi desorganizado, então pagamos por isso."Paranaense de Curitiba, Culpi, de 54 anos, iniciou a carreira aos 14 anos, atuando na categoria infantil do Coritiba. Cinco anos depois, profissionalizado, foi para o Colorado (atual Paraná), passando posteriormente pelo Santa Cruz (PE), Botafogo (RJ), Figueirense (SC), Atlanta (México) e Juventude (RS). A liderança que exercia em campo fez com que fosse capitão em todas as equipes pelas quais atuou, inclusive na seleção brasileira de juniores, com um futebol que privilegiava o toque de bola.Em 1986, depois de já estar formado em Educação Física, iniciou a carreira de técnico no Juventude. Hoje tenta conciliá-la com a de empresário do setor gastronômico, sendo sócio do Restaurante Tempero de Minas, em Curitiba. Como treinador esteve em times dos três Estados do Sul, inclusive os três de Curitiba. Em São Paulo, treinou a Inter de Limeira, o Guarani, a Portuguesa, o São Paulo e, numa das grandes decepções de sua carreira, era o técnico do Palmeiras quando o time foi para a Segunda Divisão.Mas teve boas passagens no Ettifaq (Arábia Saudita) e Cerezo Osaka (Japão) e, sobretudo, por Belo Horizonte, onde treinou o Atlético e o Cruzeiro. Em seu currículo há vários títulos regionais, mas a maioria foi conseguida pelos clubes mineiros, principalmente o Cruzeiro, com o qual levantou o troféu da Copa do Brasil de 1996.Seu histórico e o destaque desse ano leva o Cruzeiro a "disputar seu passe?? para a próxima temporada. Embora também haja interesse do futebol japonês e do próprio Atlético-PR, que disputa a Taça Libertadores em 2005. "A partir de segunda-feira, vamos resolver tudo", diz.A preocupação principal do técnico nos treinamentos é sempre o aprimoramento do passe e das conclusões ao gol. Mas é também um técnico que procura analisar o time adversário, com constantes observações de vídeos. Seu maior mérito no Atlético foi pegar um voluntarioso e veloz time e conseguir organizá-lo. Deu equilíbrio, melhorando o setor de marcação e liberando os velocistas para puxar os contra-ataques. Emocionalmente, conseguiu que os jovens jogadores atleticanos encarassem com a mesma tranqüilidade os resultados positivos e os negativos, colocando em prática a frase que abre seu site na internet: "No Brasil é mais difícil conviver com a vitória que com a derrota".

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