Zainab Ebrahim/ AP
Zainab Ebrahim/ AP

Lewis Hamilton recebe carta de garoto cujo pai está no corredor da morte no Bahrein: 'Salve meu pai'

Heptacampeão mundial de Fórmula 1 promete não ignorar apelos pela melhora na área dos direitos humanos no Bahrein e em outros países que recebem a categoria

Jerome Pugmire, AP

12 de dezembro de 2020 | 21h09

O atual campeão mundial Lewis Hamilton prometeu não ignorar os apelos para melhorar a aplicação dos direitos humanos no Bahrein e em outros países onde a Fórmula 1 hospede corridas, depois de ler cartas de supostos sobreviventes de tortura e receber o desenho do filho de um barenita que está no corredor da morte.

Antes do Grande Prêmio do Bahrein, Hamilton recebeu cartas de três supostas vítimas de tortura no país. No sábado, o heptacampeão disse: "Acho que definitivamente há um trabalho a ser feito e não vou deixar isso passar despercebido."

Junto às cartas havia uma foto de Ahmed, de 11 anos, que, orgulhosamente, exibe um desenho da Mercedes pilotada por Hamilton. O desenho foi enviado por e-mail à agência de notícias Associated Press, com um apelo pessoal do menino: "Lewis, por favor, salve meu pai."

"Quando eu estava desenhando o carro, pensei que ele poderia salvar meu pai. Nós lutamos todos os dias sem ele, eu realmente espero que ele volte para nós", disse o garoto.

Ele é filho de Mohammed Ramadhan, que, em sua carta a Hamilton, disse que foi preso após apoiar o levante pró-democracia no Bahrein, e, em seguida, supostamente enquadrado em um caso de assassinato, e espancado com barras de ferro para extrair sua confissão.

"Acho que a coisa mais triste para mim é que há um jovem no corredor da morte e isso não está claro... e quando o filho dele me escreve uma carta, isso me atinge. Todas as vidas importam", disse Hamilton, no GP de Abu Dhabi. "Quando eu tiver algum tempo, com certeza vou falar (com as pessoas) e ver como posso impactar positivamente neste fim de semana como um esporte (Fórmula 1) que está avançando".

Hamilton disse que queria abordar a questão dos direitos humanos com o príncipe herdeiro do Bahrein, Salman bin Hamad Al Khalifa, mas não o pode porque contraiu o novo coronavírus.

"Esperava depois da primeira corrida ter tido tempo de me sentar e falar sobre o assunto com o príncipe herdeiro, mas fiquei de cama durante a maior parte da semana e não pude ver ninguém. Agora, veja, em última análise não é necessariamente minha responsabilidade falar sobre lugares sobre os quais não sei tudo. Mas eu acho que, nós juntos, sempre temos que trabalhar para pressionar por mudanças, por melhorias", disse Hamilton.

A esposa de Mohammed e mãe de três filhos, Zainab Ebrahim, disse que está profundamente traumatizada.

"Este ano foi o mais doloroso ao perceber que a sentença de morte de Mohammed não seria anulada. Viver com essa realidade todos os dias e ter que dizer aos meus filhos que o pai deles nunca voltaria para casa, me dói. Meu marido é um homem inocente, ele não fez nada de errado. Está na hora desse pesadelo acabar."

Os comentários de Zainab foram enviados à AP por meio do diretor do Instituto de Direitos e Democracia do Bahrein, Sayed Ahmed Alwadaei.

O Bahrein é acusado de usar a Fórmula 1 para encobrir os problemas de direitos humanos, usando um evento de alto nível para projetar uma imagem favorável a seu país.

Chase Carey, CEO da Liberty Media, recebeu uma carta assinada por 30 parlamentares britânicos que pediam para que a Fórmula 1 aplicasse ao Grande Prêmio do Bahrein sua política de direitos humanos. 

"Não acho que tenhamos um grande problema. Eu acho que o mundo poderia usar mais alguns lugar em que você tenta criar o bem a partir do encorajamento e reforço positivo, em vez de boicotar e protestar", disse Carey em entrevista à CNN.

Solicitado, o Centro Nacional de Comunicação do Bahrein se manifestou sobre o tema: "O governo do Bahrein leva a proteção dos direitos humanos e a liberdade de expressão de seus cidadãos muito a sério, e isso é explicitamente protegido pela constituição do Bahrein."

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