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Libertadores é na bola

Brasileiros não podem ainda cair no conto de que o torneio se ganha na base do faroeste

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

12 de março de 2017 | 06h00

Os brasileiros estrearam bem na fase de grupos da Taça Libertadores. Flamengo, Chapecoense e Grêmio venceram, enquanto Palmeiras, Atlético-MG, Atlético-PR e Santos empataram. O Botafogo será o último a entrar em campo, no meio da semana, ao receber o Estudiantes, da Argentina. Não houve placar anormal.

Um fato, porém, chamou a atenção. Da tropa nacional presente na competição sul-americana aquela que esteve mais acesa, nervosa, foi justamente a turma do campeão brasileiro. Os palmeirenses entraram com muita adrenalina para enfrentar o Atlético Tucumán, e não foi por acaso que perderam o zagueiro Victor Hugo com pouco mais de 20 minutos. O moço cometeu faltas exageradas, o juiz fez cara feia e mostrou-lhe vermelho.

O 1 a 1 final não decepcionou, porém Eduardo Baptista e seus rapazes poderiam ter voltado para casa com vitória – e estariam mais tranquilos para o clássico deste sábado com o São Paulo pelo Campeonato Paulista. Em vez disso, precisam dividir-se entre compromisso local, por si só importante pela tradição, e a partida com o Jorge Wilsterman, na quarta-feira, no Allianz Parque, pelo Grupo 5. Com obrigação de ganhar. Sim, não há opção, se não deseja entrar em turbulência logo de cara.

Há cobrança em cima dos palmeirenses. Fato. Não é à toa nem de graça, pois têm um dos melhores elencos dentre todos os participantes. E eles reagiram, ao menos na rodada inaugural, de maneira equivocada e antiga, ou seja, encararam a Libertadores como uma longa batalha, que exige postura atenta contra inimigos de todos os cantos. O correto seria ficar sempre alerta, com o tal “sangue nos olhos”, modismo recentes e já surrado do futebol.

O recurso à valentia ficou evidente nas declarações inflamadas de Felipe Mello, ainda no gramado do estádio do clube argentino, e também nas declarações do treinador, nos vestiários. O volante, que teve desempenho muito bom, deu glórias a Jesus e graças a Deus, mas advertiu que o Palmeiras tinha mostrado que não iria intimidar-se nem ser superado “no grito”. E dedicou o ponto conquistado ao amigo Victor Hugo, que tomou banho bem mais cedo. Eduardo Baptista falou em arbitragem um tanto rigorosa.

Engano de jogador e treinador. O árbitro paraguaio deixou de dar cartão para um jogador do Tucumán, por falta dura, porém não errou nas advertências do zagueiro brasileiro. Os argentinos também não foram desleais, tampouco a torcida transformou o estádio em “caldeirão” (olha o clichê de novo). 

A ansiedade ficou maior para o lado verde – e esta deve ser combatida logo. Não cabe mais topar com armadilha do gênero, tem de parar com a conversa de que “Libertadores é diferente” ( e lá vem o maldito chavão), de que os gringos são catimbeiros e violentos. Os nossos patrícios são manhosos e distribuem botinadas com generosidade. Toda vez que apelamos para a força bruta, entramos pelo cano. Mais do que nunca é preciso entender que Libertadores, e qualquer outro torneio, se ganha na bola. 

TENSÃO NA VILA

O Santos visita o São Bernardo, no encerramento da rodada da Série A-1, em alta voltagem. Embora não tenha sido ruim, o empate com o Sporting Cristal, no Peru, a série de apresentações irregulares só faz aumentar descontentamento de torcedores com Dorival Júnior e rapazes. Para quem conhece a volubilidade dos cartolas alvinegros, o treinador já está em processo de fritura. Pena. Mas é inegável que o Santos desandou. 

TESTE CORINTIANO

Como quem não quer nada, e com coleção de 1 a 0, a equipe de Fábio Carille se ajusta no Estadual, se firma na Copa do Brasil e hoje põe eficiência à prova diante da Ponte Preta, em Campinas. 

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