NACHO DOCE | REUTERS
NACHO DOCE | REUTERS

Libertadores não define premiação, reivindicação antiga dos clubes

Conmebol incha torneio, que terá 44 times e pelo menos 7 brasileiros, mas nada informa sobre aumento nos prêmios

Paulo Favero, O Estado de S. Paulo

04 Outubro 2016 | 07h00

Apesar de a Conmebol ter aumentado o número de clubes para a disputa da Copa Libertadores do próximo ano, saltando de 38 para 44 equipes, não está claro se as premiações aos participantes vão aumentar na mesma proporção. Essa é reclamação antiga de muitos clubes na América do Sul.

Para se ter uma ideia, o campeão Atlético Nacional, de Medelín, ganhou US$ 7,75 milhões (R$ 24,8 milhões) pelo título nesta temporada. O abismo para a competição equivalente na Europa, a Liga dos Campeões, é enorme. Lá, o campeão da próxima edição vai embolsar mais de 48,2 milhões de euros (R$ 173,5 milhões). Isso faz com que os times europeus tenham força para contratar e não precisam se desfazer de jogadores no meio da temporada, situação comum para as principais associações filiadas à Conmebol.

Outro detalhe é que na Liga dos Campeões da Europa existe bônus por vitória e empate na fase de grupos da disputa. Cada vitória garante R$ 5,4 milhões e cada empate soma mais R$ 1,8 milhão na conta do clube. Assim, uma equipe pode arrecadar na etapa de grupos de R$ 45,7 milhões (se perder todos os confrontos) a R$ 78,1 milhões (caso vença seus duelos).

Na Libertadores, a participação na fase classificatória garante a cada um US$ 600 mil (R$ 1,92 milhão) por partida como mandante – são três no total. E não existe qualquer bonificação se ganhar ou empatar. Essas disparidades nas premiações vêm incomodando os principais clubes da América do Sul, que já chegaram a pensar em não disputar a Libertadores.

Pressão. Com o intuito de cobrar a Conmebol, foi criada a Liga Sul-Americana de Clubes, a fim de exigir cotas maiores por participação nas competições e mais poder aos times. Mas a entidade ouviu o recado e reagiu ao tentar inserir mais equipes na Libertadores. Uma reclamação corriqueira é que o faturamento com publicidade e com direitos de transmissão deveria ser repassado aos clubes em proporção maior do que a atual.

Na Europa, por exemplo, cerca de 75% do que a Uefa (União Europeia de Futebol) arrecada é destinado à premiação dos participantes na Liga dos Campeões. Isso faz com que o caixa das equipes seja reforçado e permite a elas disputar todas as competições do calendário anual, tendo dinheiro para manter um elenco grande.

Calendário. No Brasil, as mudanças promovidas pela Conmebol tiveram impacto na CBF, que está readequando o calendário nacional para que os clubes possam disputar os Estaduais, o Campeonato Brasileiro, a Copa Libertadores, a Copa Sul-Americana e a Copa do Brasil ao mesmo tempo.

Manoel Flores, diretor de competições da CBF, deve terminar o trabalho entre hoje e amanhã. A assessoria de comunicação da CBF afirmou que a diretoria de competições da entidade está trabalhando nesse ajuste do calendário de 2017 e que, após concluir o trabalho, o resultado será divulgado.

Até por isso, a TV Globo evita traçar considerações sobre as mudanças no futebol da América do Sul e vai esperar novas definições para se posicionar. “A Globo não participou da discussão de mudança na Libertadores, mas só pode fazer uma avaliação plena depois de definidos os reflexos no Calendário Nacional, gerido pela CBF”, informou a emissora.

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