Libertadores: patrocinador frustrado

A Copa Libertadores chega à final sem o retorno esperado pelo seu patrocinador. Oficialmente, a Toyota parabeniza São Caetano e Olímpia por decidirem o título, mas a montadora japonesa lamenta a ausência de grandes clubes brasileiros e a má campanha de equipes tradicionais na edição deste ano. A multinacional esperava maior divulgação para sua marca se times como Palmeiras, Flamengo, Boca Juniors ou River Plate estivessem na final. Diante da falta de retorno publicitário, os japoneses pensam em reavaliar os investimentos no futebol, a partir do ano que vem. Para promover a decisão entre brasileiros e paraguaios, a Toyota organizou entrevista coletiva, hoje pela manhã. Um helicóptero levou o técnico Jair Picerni do CT do São Paulo, onde o São Caetano treinava, para o Hotel Renaissance, local do evento. Participaram da entrevista dirigentes da Confederação Sul-Americana de Futebol e representantes da Toyota e dos clubes finalistas. Apesar dos esforços, o resultado de cinco anos de patrocínio do torneio sul-americano têm frustrado as expectativas dos japoneses. A falta de divulgação que a Libertadores teve este ano é a maior preocupação dos dirigentes sul-americanos e japoneses. A competição foi praticamente ignorada pela TV Globo, que detém os direitos de transmissão do torneio. Dos jogos do São Caetano, somente as finais contra o Olimpia foram exibidas. Além disso, apesar de cinco anos de divulgação, torcedores e imprensa não associaram a marca Toyota ao torneio, contrariando a expectativa dos japoneses. O contrato com a Confederação Sul-Americana de Futebol vai até o ano que vem e os dirigentes temem que não seja renovado. Tanto que têm feito seguidas concessões, atentendo às exigências dos japoneses. "A Supercopa Libertadores não foi mais disputada por interesse do nosso patrocinador", admitiu Nicolas Leóz, presidente da Confederação Sul-Americana, que instituiu no lugar a também extinta Copa Mercosul. "A proposta do Mundial Interclubes em duas partidas, uma na Europa e outra na América do Sul, foi discutuda com a Uefa, mas acabou recusada, por exigência da Toyota", declarou Leoz. A Copa Pan-Americana, prevista para o segundo semestre, foi adiada para o ano que vem, quando a montadora japonesa terá mais claro o panorama para novos investimentos na América do Sul. O patrocínio de milhões de dólares na Libertadores faz parte da estratégia da montadora para expandir os negócios na América do Sul. A Toyota tem cinco fábricas no continente e no ano passado a unidade de Indaiatuba, no interior de São Paulo, recebeu injeção de US$ 300 milhões para aumentar sua capacidade produtiva. A Toyota começou a patrocinar competições esportivas em 1980, promovendo a primeira edição da Copa Intercontinental, no Japão. Em 1998, a multinacional passou a emprestar seu nome à competição sul-americana. O melhor jogador da partida desta quarta à noite, eleito por jornalistas, receberá um automóvel 0 km. O prêmio também é oferecido na decisão intercontinental e foi concedido nas três últimas finais da Libertadores. Em 1999, o eleito foi o goleiro Marcos, do Palmeiras. No ano 2000 foi a vez do também goleiro Córdoba, que na época defendia o Boca Juniors e no ano passado, o escolhido foi o meia Riquelme, também da equipe argentina e hoje atuando pelo Barcelona, da Espanha.

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