Libertadores pode ter cotas menores

Se servir de consolo, não é só no Brasil que o ?negócio futebol? degringola. O clima na reunião de urgência promovida pela Confederação Sul-Americana de Futebol, amanhã, às 11 horas, em Assunção, no Paraguai, não será dos mais tranqüilos. Na pauta está a redução de 30% do valor da cota que cada uma das 32 equipes participantes vai receber para disputar a Taça Libertadores da América 2002. Ou seja, bastou ter dinheiro envolvido na história para surgir o problema.De um lado estão os executivos do consórcio TyT - formado pelas empresas Traffic, do Brasil, e Torneos y Competencias, da Argentina -, que dizem não haver outra alternativa para viabilizar economicamente a competição a não ser a redução dos valores. Do outro estão os clubes. Para eles, receber menos do que o combinado anteriormente corresponde a buracos no orçamento da temporada. Segundo o acordo inicial, os times teriam direito a US$ 150 mil por partida. Agora, são US$ 105 mil.Para o vice-presidente da Traffic, Kléber Leite, a situação não é tão complicada como parece. A possibilidade de argumentação na reunião de hoje é algo, segundo ele, inviável. "Não estamos em condições de negociar essa redução. É assim que tem de ser feito e pronto", afirmou.O executivo afirma que está na hora de os clubes de todo o mundo entenderem que a realidade do futebol mudou. Sobretudo na América do Sul, onde a crise da Argentina serviu para piorar ainda mais a situação. "Estamos vivendo uma fase de ajustes. Isso acontece tanto aqui quanto na Europa. Não temos como fugir disso", discursou. "Quem não concordar, que aponte outra forma de captar recursos para viabilizar a oferta anterior."Contra - Depois de colombianos e paraguaios, foi a vez de os times brasileiros ensaiarem um movimento de oposição à diminuição do repasse financeiro. Para o presidente do Flamengo, Edmundo Santos Silva, o ideal seria pensar em alternativas para a questão. "Vou propor nessa reunião que a cota seja dividida de acordo com a tradição e as conquistas de cada equipe", disse. "O Flamengo não aceita receber menos."O presidente do São Caetano, Nairo Ferreira de Souza, que também deve estar presente ao encontro, se mostrou contrário, mas não muito radical. "Vou me reunir com outros presidentes de clubes e sentir qual é a disposição geral", observou. "Mas é evidente que uma redução de 30% vai deixar todo mundo em situação complicada, uma vez que nossos gastos previam a arrecadação integral dos US$ 150 mil."

Agencia Estado,

16 de janeiro de 2002 | 19h50

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