Divulgação/CBF
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Clubes das Séries A e B encaminham criação da Libra, liga para organizar Campeonato Brasileiro

Corinthians, Cruzeiro, Flamengo, Palmeiras, Bragantino, Ponte Preta, Santos e São Paulo assinam documento com a proposta da Codajas Sports Kapital em reunião com representantes de 23 times; novo encontro está marcado para o dia 12

Ricardo Magatti e Rodrigo Sampaio, O Estado de S.Paulo

03 de maio de 2022 | 12h53

Representantes de 23 clubes das Séries A e B se reuniram nesta terça-feira, 3, em um hotel na zona sul de São Paulo, onde encaminharam a criação da Libra, a liga do futebol brasileiro. Oito agremiações assinaram um documento prevendo a criação da nova liga, que tem como objetivo organizar o Campeonato Brasileiro, comandado atualmente pela CBF

O bloco formado por Corinthians, Flamengo, Palmeiras, Red Bull Bragantino, Santos e São Paulo foi o primeiro a assinar o documento com a proposta da Codajas Sports Kapital. O Cruzeiro e a Ponte Preta, ambos atualmente na segunda divisão, também assinaram o acordo. A La Liga, que organiza o Campeonato Espanhol, em conjunto com as empresas XP e Alvarez & Marsal, é outra interessada na operação, com a qual acredita ser possível arrecadar 5 bilhões de euros (R$ 25 bilhões) anualmente, e também enviou proposta. A outra oferta na mesa é a da LiveMode/1190, empresa que comprou os direitos de transmissão do Brasileirão para o exterior. 

"Tenho convicção de que a criação da Libra representa um marco na gestão do futebol nacional. Com os clubes unidos e trabalhando em conjunto, vamos potencializar as nossas receitas e oferecer aos torcedores um espetáculo de primeiro nível", afirmou Leila Pereira, presidente do Palmeiras. Ela foi a primeira a assinar o documento.

Um segundo bloco, formado por América-MG, Atlético-GO, Athletico-PR, Avaí, Ceará, Coritiba, Cuiabá, Fortaleza, Goiás e Juventude — integrantes do Movimento Futebol Forte —, pediu mais tempo de discussão para alinhar ideias antes da criação efetiva da liga. O principal entrave é a divisão do dinheiro dos direitos de transmissão das partidas, na qual o grupo rechaça sair prejudicado. 

Uma nova reunião com os 40 clubes está marcada para o dia 12 de maio. Nela, serão discutidos os detalhes da forma e da constituição da nova Liga: quem serão os administradores, como serão divididas as cotas e os recursos, e quais os produtos oferecidos. "O objetivo é fortalecer o futebol brasileiro e a competição como um todo. O Campeonato Brasileiro precisa ser protagonista no mundo", diz Júlio César Heerdt, presidente Avai.

Dos clubes da Série A, apenas Cuiabá e Juventude não enviaram representantes. Entre os clubes na Série B, participaram da reunião Cruzeiro, Guarani, Ponte Preta, Sport e Vasco. Jorge Braga, CEO do Botafogo, atuou como liderança intermediária na reunião. 

"Entendemos que o próximo passo é reunir os 40 principais clubes do futebol brasileiro na sede da CBF, no dia 12, para uma posição em consenso. Até lá, todos terão tempo para avaliar os termos que estão na mesa. Temos pressa, mas não podemos errar. O futebol brasileiro precisa dar passos sólidos nesse importante momento de revolução que a Liga representa", disse Braga.

O novo formato valeria somente a partir de 2025. Isso porque os contratos até 2024 já estão assinados. A CBF, por sua vez, ficaria responsável pelos jogos da seleção brasileira, Copa do Brasil e Copa do Nordeste. 

Opiniões divergentes

Apesar da proposta da Codajas Sports Kapital ter a adesão dos principais times do futebol brasileiro, clubes emergentes ainda resistem a assinar a proposta. Marcelo Paz, presidente do Fortaleza, diz que a renião desta terça-feira não foi como esperava e defende um debate mais amplo. Ele ressalta que apenas oito dos 23 clubes assinaram, o que está longe de representar a vontade da maioria. 

"Esperamos que, para uma próxima reunião, todos reflitam e deem um passo de união, para que definitivamente a gente consiga sair do papel de um movimento que pode ser um dos principais acontecimentos do nosso futebol", disse o dirigente. 

Para Alessandro Barcellos, presidente do Internacional, o encontro "fortaleceu" os clubes. Ele afirma que não houve imposição do bloco signatário, e acredita que a reunião foi positiva para fazer as agremiações refletirem para chegar na reunião do dia 12 com fatos mais concretos. 

"Ninguém deseja uma liga com seis ou oito clubes. Sabemos do interesse e da realidade de cada uma das instituições e aonde podemos chegar, para que o entendimento seja benéfico para todos."

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