Lidar com empresários vira desafio para cartolas do futebol brasileiro

No Brasil, dirigentes já sabem que contratar um jogador de algum nível, terão de acertar a comissão com o agente

Daniel Batista e Gonçalo Júnior, O Estado de S. Paulo

21 de abril de 2013 | 08h00

SÃO PAULO - Lidar com empresários é um dos maiores desafios dos dirigentes brasileiros. Pagar comissão é uma obrigação para um clube que pretende ter jogadores com algum nível técnico. E isso vale para times grandes, médios ou pequenos.

"Se você não pagar o que ele (empresário) quer, ele leva para outro time e você não tem quem escalar", disse o diretor de futebol da Portuguesa, André Heleno. Afundada em dívidas como boa parte dos clubes brasileiros, a Lusa tentou sobreviver sem pagar comissão aos agentes e viu que não iria muito longe.

"Não tem jeito. Hoje, 90% dos jogadores têm empresários e eles querem receber comissão. Geralmente eu ligo para o jogador e pergunto se quer vir jogar para a Portuguesa. Antes de falar ‘sim’, ele manda eu ligar para o representante", explicou o diretor da Portuguesa. Do atual elenco, ele não precisou pagar comissão apenas para contratar o atacante Diego Viana, que não tem empresário.

No São Paulo, o respeito ao agente é total e ninguém se incomoda em ter de pagar para um representante do jogador aceitar a proposta feita. "Eles são uma realidade no futebol. São representantes importantes que não podem ser ignorados", disse o vice-presidente de futebol, João Paulo de Jesus Lopes.

O Juventus, que acaba de cair para a Série A-3 do Campeonato Paulista já se rendeu à necessidade de contar com empresários e pagá-los, mas o presidente do clube, Rodolfo Cetertick, lamenta o fato de os agentes usarem "dois pesos e duas medidas". "O empresário oferece jogadores que estão no nível da Série A-3. Se tentamos algum nome mais forte, raramente entramos em acordo", lamentou Cetertick.

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