Liderança não surpreende os franceses

A nova classificação da Fifa, que coloca a seleção da França como a número 1 do mundo, não chegou a surpreender os franceses, que já esperavam há algum tempo o reconhecimento do seu futebol. Desde a vitória da equipe nacional no Euro 2000, dois anos depois da Copa do Mundo, eles estavam esperando superar o Brasil no ranking da Fifa e poucos compreendiam como os brasileiros, apesar dos maus resultados acumulados nesses últimos tempos, pudessem ainda permanecer no primeiro lugar.Hoje, na Europa, o Brasil continua sendo considerado um celeiro de craques, mas a organização de seu futebol é considerada arcaica e superada, tendo esgotado o modelo inaugurado em 1958 por Paulo Machado de Carvalho e que permitiu ao país conquistar quatro copas. A má fase atual exige uma reforma de base no futebol brasileiro, sua modernização, e a renovação de seus quadros dirigentes constitui uma evolução indispensável, segundo os especialistas europeus. Enquanto isso não ocorrer, o país não pode esperar novos sucessos, apesar do elevado e reconhecido nível técnico de seus atletas.O Brasil não só perdeu a primeira colocação no ranking mundial, mas deixou de ser também para os europeus a grande força do futebol sul americano. Eles consideram que a Argentina assumiu hoje essa posição, razão pela qual os franceses identificam esse país como o grande adversário, o mais capacitado a enfrentar e vencer a França numa final da Copa do Japão e Coréia.Atualmente, os argentinos são apontados ao lado dos franceses como os favoritos do mundial de 2002 e, pela primeira vez em quase meio século , o Brasil não estará entre os dois principais favoritos da copa.Os franceses não escondem o orgulho de terem, pela primeira vez na história de seu futebol, destronado os brasileiros da condição de número um do futebol internacional. Hoje, como ocorre no Brasil, praticamente todos os jogadores da equipe nacional jogam no exterior, em clubes da Itália, Espanha e Inglaterra, onde as condições fiscais e financeiras são bem favoráveis e o "leão" tem menos apetite. Só falta agora a equipe nacional francesa ter direito a mais um título, ser chamada de "a seleção", como nos dizia ontem com um sorriso nos lábios o jornalista Alain Leblanc, antigo chefe de imprensa da Copa de 98.

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