Sebastian Derungs/AFP
Sebastian Derungs/AFP

Futebol europeu diverge sobre punição a Blatter e Platini

Federações nacionais e Comitê Olímpicos se manifestam

Estadão Conteúdo

21 de dezembro de 2015 | 17h06

Líderes do futebol europeu divergiram sobre a punição imposta pela Fifa ao presidente da entidade, Joseph Blatter, e ao mandatário da Uefa, Michel Platini. Ambos foram suspensos por oito anos do futebol mundial e devem recorrer à Corte Arbitral do Esporte (CAS, na sigla em inglês) contra as punições.

Javier Tebas, presidente da Liga de Futebol Profissional (LFP), entidade que controla o Campeonato Espanhol, foi o mais implacável com Blatter e Platini. "Para mim, oito anos não são suficientes. A pena deve ser que nunca mais possam fazer parte de uma instituição esportiva", comentou.

Raymond Domenech, diretor técnico da seleção francesa, saiu em defesa de Platini. "A Fifa informou que não houve corrupção. Só existem suposições. Mas assim é como trabalha a Fifa. O senhor Blatter dava o que queria para quem queria. Não havia nada de anormal nisso. O problema de Michel é de sincronização: isso sucede um momento equivocado", comentou.

O presidente da Federação Francesa de Futebol (FFF), Noel Le Graet, também se mostrou surpreso com o gancho de Platini. "É impactante e me entristece. Parece incrível. Mas não me surpreende já que o presidente do Comitê de Ética havia anunciado anteriormente que Michel (Platini) seria suspenso por vários anos. A culpa de Michel estava decidida de antemão", lamentou.

Miguel Cardenal, presidente do Conselho Superior de Esportes da Espanha, seguiu com o tom político em defesa do ídolo francês. "É uma decepção, porque a presidência da Uefa é melhor que a da Fifa. Conheço o compromisso do Platini na luta pelo jogo limpo financeiro. Mas é a resolução e temos que aceitá-la."

O presidente interino da Federação Alemã de Futebol, Reinhard Rauball, acredita que a decisão da Fifa deva ser apenas o início de uma reformulação geral nas entidades esportivas. "Está alinhada com as expectativas. Em qualquer caso, a Fifa e a Uefa devem tomar agora decisões fundamentais em termos estruturais e de recursos humanos. Uma troca de dirigentes não é suficiente. O objetivo é recuperar a confiança e a credibilidade perdidas, isto demorará anos de qualquer forma."

O Comitê Olímpico Internacional também se pronunciou sobre a punição, mas evitou entrar em qualquer polêmica. "O senhor Blatter e o senhor Platini consideram apelar desta decisão ao CAS. Ou seja, isso é um procedimento que está em andamento e o COI não comentará nada até que a decisão final seja tomada".

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