Frank Fife/AFP
Frank Fife/AFP

Liga das Nações redesenha cenário de forças das seleções na Europa a meses da Copa do Catar

Equipes mais tradicionais, como França, Bélgica e Inglaterra, vão mal na competição continental e observam rivais como Holanda e Dinamarca, e até Hungria, ganharem espaço

Robson Morelli, O Estado de S.Paulo

16 de junho de 2022 | 15h00

Antes de pesar as forças das seleções europeias na Liga das Nações e saber se um novo cenário está se formando em relação às equipes mais tradicionais no continente, é preciso entender melhor o que é e como funciona a competição que movimenta as 55 equipes nacionais do Velho Continente. A Liga das Nações começou a ser desenhada em 2014 a pedido das próprias confederações nacionais para que os times escapassem dos amistosos quando não havia Data Fifa.

A Uefa trabalhou então para formatar um torneio entre as seleções e pesou a disputa pelo ranking das equipes. Formou assim quatro categorias, batizadas de Liga das Nações A, B, C e D. Sua concepção de acesso é parecida com o Campeonato Brasileiro. Quem está nas divisões inferiores, joga para subir. São partidas dentro do grupo de ida e volta, com os melhores classificados avançando e chegando às fases derradeiras.

A principal divisão da Liga das Nações, a A, tem quatro grupos com quatro seleções cada. Há rebaixamento. A França, campeã do mundo na Rússia, foi a vencedora da última edição. Antes dela, quem levantou a taça foi Portugal. O torneio visa movimentar os times quando eles não estão nas Eliminatórias para a Copa, de modo a não dar brechas para que os europeus façam amistosos diante de rivais sul-americanos, por exemplo. O Brasil, de Tite, é muito cobrado para ter jogos contra adversários da Europa, mas a CBF não consegue marcar. Os jogos da Liga também podem dar ao mundo uma visão antecipada de como as seleções europeias estão antes da Copa do Mundo.

Vale lembrar que depois da conquista do penta, em 2002, só deu europeu levantando a taça dos Mundiais da Fifa. Em 2006, foi a Itália. Em 2010, coube à Espanha. Em 2014, no Brasil, a Alemanha fez o serviço. Na Rússia, antes de o país de Vladimir Putin se virar contra os ucranianos e o mundo, deu França.

A Liga das Nações não é uma Copa do Mundo nem tem a mesma importância. Na semana passada, por exemplo, ela foi disputada a contragosto de alguns jogadores que preferiam estar de férias após a temporada regular na Europa. O belga De Bruyne foi um dos que reclamaram da competição fora de hora. "Estive uma semana sem treinos e sem jogos e o corpo começa a descontrair. Depois, vou ter quatro jogos em poucos dias. Isso é procurar problemas. Faz oito ou nove anos que não tenho tempo para ter férias. O corpo precisa descansar de vez em quando", disse o ótimo jogador que atua no Manchester City, sob o comando de Pep Guardiola, após ver a Bélgica sendo surrada pela Holanda por 4 a 1.

Algumas outras seleções tradicionais também estão fazendo jogos ruins, de baixo rendimento. É o caso da Inglaterra, que perdeu para a Hungria por 4 a 0 na última rodada e amarga a última colocação do seu grupo. Os húngaros, no entanto, voltam a figurar no futebol, depois de décadas hibernando. A Hungria fez história na década de 1950. Foi medalhista olímpica e vice da Copa do Mundo de 1954, perdendo para a Alemanha na decisão - ganhava por 2 a 0 e perdeu por 3 a 2. Aquele time foi comandado pelo lendário Puskás. O ouro olímpico foi comemorado na edição de 1952, em Helsinque, na Finlândia. A Hungria lidera na Liga A uma chave que tem Alemanha, Itália e os próprios ingleses. Os húngaros não estão na Copa do Catar, tampouco a Itália, que também apanhou feio dos alemães por 5 a 2. Há algumas seleções em reformulação, como Alemanha e Espanha.

Nem mesmo a França, apontada como favorita no Catar, vai bem na Liga das Nações. O time de Mbappé é lanterninha no Grupo 1, com apenas dois pontos em quatro partidas. O técnico Didier Deschamps tentou explicar a má fase dos campeões do mundo. Os franceses já estão eliminados na competição. "Foi um mês de junho difícil em termos de resultados. Não tivemos energia e força contra equipes que tiveram mais do que nós", disse o treinador após derrota para a Croácia por 1 a 0. "Perdemos um pouco de confiança ao longo do caminho, mas principalmente não tivemos frescor. Quando você joga tantas vezes, é muito difícil", disse.

Se a França naufraga na Liga das Nações, outros rivais ganham espaço. É o caso da Dinamarca, que também já brilhou em outras décadas e agora retoma algum protagonismo na Europa. O time lidera a chave, seguido pela Croácia e Áustria. A Dinamarca vai para o Catar. Está no mesmo grupo da França, o D, com Austrália e Tunísia. É cotada para ficar com a segunda vaga. Espera-se que a França reaja até lá. Os dinamarqueses são apontados como "perigosos".

Da Croácia, estima-se a mesma coisa. O país já se credenciou em Copas, como na edição da Rússia, quando chegou à final e perdeu para os franceses. Os croatas encaram na Mundial a Bélgica, o Marrocos e o Canadá.

Algumas outras seleções mantêm na Liga das Nações o peso que sempre levam para as Copas. É o caso da Holanda, que lidera seu grupo na competição europeia com três pontos de sobra para a Bélgica, que eliminou o Brasil quatro anos atrás. Portugal vive do talento do "inacabável" Cristiano Ronaldo e de alguns outros bons garotos que estão renovando a geração. A Espanha, que depois da conquista na África do Sul, em 2010, entrou num processo de reformulação,ainda não tem uma cara e, por isso, não se sabe ao certo se terá forças para se impor no Catar. Na Copa, vai medir forças com Alemanha, Japão e Costa Rica, a última seleção a se classificar após passar pela Nova Zelândia.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.