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Guillermo Schelotto, técnico do Los Angeles Galaxy LA Galaxy

Liga dos EUA se aproxima da América do Sul e atrai jogadores e técnicos da região

Clubes têm dado prioridade à contratação de profissionais sul-americanos na tentativa de desenvolver o futebol no país

Raphael Ramos, O Estado de S.Paulo

06 de janeiro de 2019 | 04h30

A contratação do técnico argentino Guillermo Schelotto, ex-Boca Juniors, pelo Los Angeles Galaxy, na última quarta-feira, reforça os altos investimentos feitos pelos clubes da Major League Soccer (MLS) em treinadores e jogadores sul-americanos nos últimos anos. Atualmente, mais de 80 atletas e quatro técnicos da região têm contrato com equipes dos Estados Unidos e o número ainda deve aumentar até março, quando começa a nova temporada da MLS.

Maior campeão da MLS, dono de cinco taças, o Los Angeles Galaxy contratou Guillermo Schelotto não só pela sua familiaridade com o futebol dos EUA – como jogador, o argentino defendeu o Columbus Crew por quatro temporadas, conquistando o título nacional em 2008 –, mas principalmente por causa do seu desempenho à frente do Boca Juniors, onde conquistou dois títulos do Campeonato Argentino e chegou à decisão da Libertadores do ano passado. No Lanús, ele ganhou a Copa Sul-Americana de 2013.

O talento sul-americano é a aposta da MLS para tentar se aproximar das grandes ligas. A estratégia do Galaxy é a mesma adotada pelo Atlanta United, campeão da MLS em 2018 sob comando do também argentino Gerardo Martino, ex-Barcelona e seleção argentina.

O elenco do Atlanta United, inclusive, contou na campanha do título com oito atletas sul-americanos, entre eles o talentoso Josef Martínez, atacante venezuelano de 25 anos, eleito melhor jogador da liga depois de marcar 31 gols na temporada. Outro destaque da equipe é o argentino Ezequiel Barco, jogador mais caro da história da MLS, contratado por US$ 15 milhões (R$ 56,5 milhões pelo câmbio atual) do Independiente em janeiro de 2018, quando tinha apenas 18 anos e acabara de conquistar a Copa Sul-Americana em cima do Flamengo.

O Portland Timbers, atual vice-campeão, também confiou nos sul-americanos. O elenco do técnico venezuelano Giovanni Savarese tinha nove jogadores de países como Argentina, Colômbia, Peru e Paraguai na temporada passada.

Praticamente todos os principais negócios deste início de janela de transferências no mercado dos Estados Unidos apontam para atletas da América do Sul. O Chicago Fire, por exemplo, contratou o zagueiro brasileiro Marcelo, que estava no Sporting, de Portugal. O também zagueiro Bressan, ex-Grêmio, fechou com o FC Dallas.

Já o Galaxy contratou o meia brasileiro Juninho. Revelado pelo São Paulo e irmão do atacante Ricardo Goulart, que atua no Guangzhou Evergrande, da China, ele retorna a Los Angeles depois de jogar no Tijuana, do México, e no Chicago Fire. O D.C. United centrou suas atenções na Argentina e contratou o meia Lucas Rodríguez, de 21 anos e com passagem pelas seleções de base do país.

Todos os 23 times que participaram da última edição da MLS têm jogadores sul-americanos no elenco. Ao mirar investimentos na região, os clubes da MLS mudaram o foco e o modelo de crescimento.

Se antes as equipes dos Estados Unidos apostavam quase que exclusivamente em estrelas em fim de carreira como o brasileiro Kaká, o inglês Beckham, o colombiano Valderrama ou o espanhol Raúl, agora o sueco Ibrahimovic (37 anos), o alemão Schweinsteiger (34) e o inglês Rooney (33) são exceções.

Na última temporada, a média de idade dos jogadores contratados do exterior foi abaixo dos 25 anos pela primeira vez na história, tendência que deve continuar neste ano.

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Brasileiros vão para os EUA em busca de estabilidade

Boa estrutura dos clubes e garantia de recebimento do salário sem atraso são os principais atrativos

Raphael Ramos, O Estado de S.Paulo

06 de janeiro de 2019 | 04h29

Eleito “Jovem Revelação” do Campeonato Catarinense de 2014, quando atuava no Figueirense, o lateral-esquerdo Marquinhos Pedroso acumulou desde então passagens por Grêmio, Gaziantepspor (Turquia) e Ferencváros (Hungria). Mas, aos 25 anos, foi no FC Dallas que ele encontrou o seu porto seguro no ano passado.

“Estou muito feliz nos Estados Unidos. A estrutura do clube e da liga é excepcional. Não penso tão cedo em sair de lá, a não ser que apareça alguma coisa muito, muito de alto nível na Europa”, diz Marquinhos Pedroso para, na sequência, emendar: “Lá não existe essa coisa de salário atrasado”.

Apesar da rápida adaptação (ele já falava inglês quando desembarcou no país), o jogador ainda tem certa dificuldade por conta da parte física. “O jogo é muito corrido. Em média, um atleta corre 11 quilômetros numa partida. No Brasil, a média é 8,5 km, no máximo 10 km. Os americanos são muito bons na parte física e têm ótimo preparo. Já os brasileiros e sul-americanos de modo geral gostam do jogo mais lento, onde a qualidade técnica aparece mais”, conta.

Outro brasileiro que disputará a temporada de 2019 na MLS é o volante Judson, que não pensou duas vezes em trocar o Avaí pelo San Jose Earthquakes no mês passado. “Logo no primeiro momento que recebi a proposta decidi aceitar principalmente por causa da estrutura dos Estados Unidos, que é maravilhosa, e da qualidade de vida que a minha família terá, inclusive na questão dos estudos para as minhas filhas”, disse.

A contratação de Judson foi pedida pelo técnico argentino Matías Almeyda. Ex-jogador com longa passagem pela seleção argentina (conquistou a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de 1996 e disputou as Copas do Mundo de 1998 e 2002), o treinador resolveu apostar no brasileiro por acreditar que, ao aliar habilidade técnica com vigor físico, Judson poderá liderar o Earthquakes. “Seu estilo de jogo incansável ficou muito evidente nos jogos que eu vi. O fato de ele jogar em uma faixa extensa do campo o fará uma peça fundamental de nossa estrutura defensiva”.

Atualmente, 12 brasileiros têm contrato com equipes da MLS. Um dos últimos a se transferir para os Estados Unidos foi o atacante Sergio Santos, que estava no Audax Italiano, do Chile, e assinou em dezembro com o Philadelphia Union. O meia Diego, do Flamengo, interessa ao Orlando City e pode aumentar a lista. O dono do City é o empresário brasileiro Flávio Augusto da Silva.

QUATRO PERGUNTAS PARA...

Artur, volante do Columbus Crew

1. Por qual razão você optou por jogar nos EUA?

Joguei na base do São Paulo (conquistou Copa do Brasil e Libertadores Sub-20), fiz algumas partidas no profissional, mas depois fui avisado de que não tinham mais interesse em contar amigo. Foi quando chegou a proposta de empréstimo do Columbus Crew em 2017. Depois de uma temporada jogando nos EUA, eles compraram os meus direitos.

2. Como foi o seu processo de adaptação?

Confesso que não tinha muitas informações sobre o futebol nos EUA, mas gostei muito. O nível técnico é muito bom, os jogos são disputados e equilibrados. A organização é muito boa e nenhum clube atrasa salário.

3. Você acredita que mais brasileiros devem jogar nos EUA nas próximas temporadas?

A ida do Kaká para o Orlando City (em 2015) ajudou. Além dos brasileiros, há outros jogadores sul-americanos na MLS. Argentinos, colombianos e venezuelanos, por exemplo, são bastante valorizados. Por isso, podemos ter cada vez mais brasileiros nos EUA.

4. Financeiramente o mercado americano é mais atrativo do que alguns países da Europa, por exemplo?

Jogo no mesmo time do Federico, irmão do Higuaín (atacante do Milan e da seleção argentina), e recentemente conversamos sobre isso. Pelas regras da liga, apenas alguns jogadores têm permissão para receber salários milionários, mas os valores para os demais atletas têm aumentado a cada ano, e isso é bom.

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Times trocam Brasil pela Flórida na pré-temporada

Por causa da visibilidade e de duelos com rivais de peso da Europa, clubes topam apertar calendário e vão aos EUA

Redação, O Estado de S.Paulo

06 de janeiro de 2019 | 04h29

Pelo quinto ano consecutivo, o Brasil estará representado na Flórida Cup, torneio amistoso realizado nos Estados Unidos sem peso do ponto de vista esportivo, mas importante em termos de visibilidade e negócios. De quebra, é a chance rara de enfrentar times europeus.

Flamengo e São Paulo são os convidados em 2019, e medirão forças com Eintracht Frankfurt, da Alemanha, e Ajax, da Holanda. As despesas com deslocamento e estadia são pagas pela organização do evento, o que representa também redução nos custos da pré-temporada aos times brasileiros.

Além das partidas em si, transmitidas para mais de cem países, o torneio oferece diversas oportunidades para que os participantes realizem ações de ativação da marca, como, por exemplo, presença de atletas em eventos no intervalo de jogos da NBA para um desafio de arremessos, duelos entre ex-jogadores dos clubes – Zico, Denílson e Van der Sar estarão nesta edição – e atrações que gerem engajamento com o público. A cantora Ivete Sangalo vai cantar na Fan Fest e também no estádio em um dos dois dias de jogos.

São Paulo e Flamengo estreiam na próxima quinta-feira, contra Eintracht e Ajax, respectivamente. No dia 12, os duelos se invertem, e paulistas encaram holandeses, às 15h, enquanto cariocas medem forças com os alemães.

De quatro edições, os brasileiros ganharam duas: Atlético-MG (2016) e São Paulo (2017).

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