Liga Nacional oficializa sua criação

A tão falada Liga Brasileira de Futebol Profissional foi criada nesta terça-feira, em São Paulo, após quase quatro horas de reunião entre os presidentes dos principais clubes do País. Mas o aspecto considerado inovador e mais importante pelos dirigentes nos discursos para a imprensa - a fiscalização das contas das agremiações e o controle rigoroso das finanças - parece que dificilmente sairá do papel. "Por causa da peculiaridade de alguns clubes, será difícil que a Liga tenha controle da situação", afirmou José Augusto Bastos Neto, presidente da Comissão de Sistematização da Liga, contrariando o discurso de praticamente todos os colegas. Segundo Fábio Koff, presidente do Clube dos 13 e homem-forte da Liga Brasileira, a nova entidade terá o poder de auditar as contas dos clubes e poderá até ajudar na quitação de dívidas. Caso as agremiações não obedeçam às regras de apresentar boa saúde econômica, elas podem ser desfiliadas. Equipes que não tiverem boas condições financeiras não poderão fazer grandes contratações, como vinha ocorrendo com o Flamengo nos últimos anos. A Liga deverá vetar. Pelo menos é o que está no estatuto, aprovado nesta terça-feira por maioria dos votos. A surpresa na reunião realizada em um hotel de São Paulo foi a presença de Júlio Lopes, vice-presidente do Flamengo, que havia abandonado o Clube dos 13. O dirigente assinou a ata e o clube se filiou à entidade, ao contrário do vinha dizendo o presidente Edmundo Santos Silva. "Estávamos discordando de algumas resoluções do Clube dos 13, mas a Liga Nacional será diferente", justificou Júlio Lopes. "A criação da Liga é um momento histórico para o futebol brasileiro." O Vasco não mandou representante para o encontro, mas todos esperam que seu presidente, Eurico Miranda, mude de idéia e aceite fazer parte da entidade. Caso contrário, o time ficará fora do Brasileiro de 2002. Ele tem o prazo de 30 dias para informar sua decisão. A Liga de Futebol toma das mãos da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) o Campeonato Brasileiro. Será responsável pela organização do torneio, que começará em 5 de agosto, com a presença de 26 times. A fórmula de disputa será a mesma do ano passado. Os 8 melhores avançam para as quartas-de-final e os quatro piores são rebaixados. A Liga comandará também a Série B (26 equipes). A Série C é o "patinho feio" da história, pois ninguém quer ficar com ela, mas pode sobrar para a Liga. A CBF perde, assim, o poder do futebol no País. Passará a controlar apenas as diversas categorias da seleção brasileira. A cidade de São Paulo foi apontada como a sede da Liga. O nome do presidente sairá em 15 dias e não poderá ser o de nenhum dirigente de clube. Embora diga que não é candidato, Fábio Koff é o favorito. Foi definido também que os votos das agremiações da Série A terão peso 5 e os da B, 2. Isso não significa, contudo, que as cotas de televisão serão igualmente divididas entre as equipes das mesmas divisões. Na próxima semana, haverá reunião em Brasília entre dirigentes de clubes e o governo federal para que sejam discutidos os problemas das dívidas fiscais.

Agencia Estado,

26 Março 2002 | 20h02

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