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Para manter-se vivo na luta por título, o Palmeiras precisa ser ágil e ganhar o dérbi

Antero Greco, O Estado de S. Paulo

12 de julho de 2017 | 03h00

Palmeiras x Corinthians sempre é especial. Escrever isso em geral equivale a chover no molhado. Mas o chavão é apropriado para o clássico que fazem, na noite desta quarta, no Allianz Parque. Ao menos para o lado verde. Se Cuca e seus rapazes não quiserem abrir mão precocemente da luta pelo título, só lhes resta a alternativa de vitória. O empate é ruim, e a derrota assume contornos de catástrofe. Para a turma alvinegra, eventual tropeço encerra invencibilidade e no máximo diminui um pouco a extraordinária vantagem alcançada em 12 rodadas.

A competição até o momento mostrou duas equipes com trajetórias e mentalidade distintas. O Palmeiras de grande elenco não sabe o que quer da vida. Começou o ano torto, com a contratação de muita gente e de um técnico sem carisma - Eduardo Baptista -, demitido meses e frustrações depois. Perdeu tempo na construção da equipe, derrapa na Série A nacional, está em desvantagem no mata-mata na Libertadores e arrancou empate a fórceps, naqueles 3 a 3 com o Cruzeiro em casa, pelas quartas da Copa do Brasil. 

O Corinthians largou na temporada com plantel enxuto, com estrelas esparsas e um treinador com zero de badalação. Faturou o Estadual, acertou-se e disparou no campeonato com vigor jamais visto nos pontos corridos. Não desperdiça energia, raramente sofre baixas, tem sido letal. Regularidade de se tirar o chapéu e fazer os rivais terem enorme dor de cotovelo. Haverá milhões de olhos gordos sobre si.

Se a escalação corintiana está na ponta da língua, a palestrina se transformou em incógnita, de tanto que muda de jogo para jogo. Convido o torcedor a "cantar" qual seria a ideal, e certamente haveria inúmeras combinações. Um atraso, pois a folhinha mostra o sétimo mês do ano, seis de atividade futebolística. Período suficiente para que houvesse definições. 

Sim, há baixas provocadas por contusões, como as de Moisés e Felipe Mello; outros estão longe do ideal, caso de Borja; tem a moçada que oscila, como Tchê Tchê, Prass, Roger Guedes, Keno; há até quem suba, mas sem sequência marcante, e aí está o Guerra para provar. Tem os que entram e não emplacam, como Mayke, Egídio, Erik, Michel Bastos. E os que decidem, embora nem sempre, como Dudu e Willian.

A gangorra torna o Palmeiras mediano, imprevisível e, por extensão, pouco confiável. Apresenta lampejos de futebol envolvente, sem a constância, por exemplo, do ano passado. Na campanha do título de 2016, nem sempre jogou o fino da bola; em contrapartida, era time sólido, com controle da situação, eficiente. Não foi campeão por obra do acaso, e sim por muito mérito. Aquela segurança virou fumaça.

A oportunidade - ou, melhor, o desafio - para reentrar na disputa é o dérbi. Primeiro porque representa "jogo de seis pontos". Se ganhar, encurta a diferença para 10; se empatar, permanecem os 13; se perder, abre-se abismo de 16 pontos e arrivederci taça... 

O Palmeiras precisa de atuação impecável, o que Corinthians tem esbanjado. Não lhe serão permitidos cochilos, que lhe custaram caro contra Barcelona e duas vezes diante do Cruzeiro. O preço é mais salgado diante de Jô, Rodriguinho, Jadson & Cia. É a noite do vai ou racha! Ou o Palmeiras acorda de vez ou trate de pensar em como salvar o ano com Libertadores e Copa do Brasil.

MINUTO DE SILÊNCIO

A crônica desta quarta, já a partir do título, é uma homenagem para Eduardo Luiz, o Ligeirinho, incansável repórter de rádio, que durante décadas correu atrás de notícias esportivas e agora se mudou para o céu. E também dedicada a Ângelo Mariano Luisi, palestrino fanático, assinante fidelíssimo do “giornale do Estadón” desde que viera da Itália, muitos e muitos anos atrás. Vão em paz, amigos queridos.

 

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