Alexandre Gondim/JC Imagem
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Lisca 'Doido', um técnico que leva o Náutico à loucura

Carismático treinador conquista a torcida com seu jeito de vibrar

PAULO FAVERO, O Estado de S. Paulo

13 de junho de 2015 | 17h00

O sucesso do Náutico na Série B é fruto, em grande parte, do trabalho do técnico Luiz Carlos Cirne Lima de Lorenzi, o Lisca ‘Doido’, que com seu jeito carismático tem conseguido levar o time às vitórias e empolgar a torcida. O gaúcho de 42 anos se encontrou na equipe pernambucana graças ao seu jeito alegre. Ele tem chamado a atenção pelas suas comemorações com a torcida e suas danças na frente do banco de reservas. E o apelido já não o incomoda mais.

“Essa história de Lisca ‘Doido’ surgiu no Juventude. O time havia caído para a Série B, mas eliminamos o Grêmio numa semifinal e a torcida passou a gritar assim. No Náutico, quando ganhamos na Ilha do Retiro do Sport após dez anos de jejum, a torcida falou isso também. Acho que as histórias de Caxias do Sul chegaram aqui, porque tinha vídeo das comemorações com torcida, dessa vibração. Acho que é até um antimarketing, mas é um doido de maneira carinhosa. Significa que estão com o treinador, sem se importar com o jeito dele.”

Ele sabe que o apelido tem uma grande força entre os fãs, mas acaba fechando algumas portas. “A mim não me incomoda quando me chamam de doido, mas sei de pessoas no mercado, de presidentes de outros clubes, que não encaram assim. Eles enxergam nisso algo folclórico. O futebol brasileiro é muito conservador.”

Lisca vive um grande momento no Náutico. Ele pegou um time em baixa e conseguiu melhorar a autoestima dos atletas. “A expectativa aqui era bem negativa, porque chegaram jogadores desconhecidos. Mas eu sabia do potencial deles, porque já tinham trabalhado comigo e se encaixavam no meu projeto. Eram atletas com pouco nome no mercado, mas que já fizeram bons trabalhos em outros clubes.”

Foi a partir da química com a torcida que o Náutico cresceu. Lisca é quem incendeia a massa. “Acho que as maiores loucuras que faço são na hora de comemorar. E o pessoal gosta.”

O sucesso de seu estilo é tão grande que ele tem dificuldade de sair para passear em Recife. “É algo impressionante nas ruas, vem muita criança falar comigo, muito senhor de idade. Acabei virando um personagem, e as crianças se identificaram muito, não apenas o torcedor do Náutico. Percebem que eu coloco o coração e a paixão no trabalho.”

O treinador começou nas categorias de base. Ajudou a revelar Nilmar, Rafael Sobis, Luiz Adriano, Daniel Carvalho, Fabio Rochemback e Lucas Leiva, entre outros. “Não fui jogador famoso, mas batalhei muito para chegar aqui. Tanto no Juventude quanto no Náutico encontrei times sofridos, com torcedor envergonhado. Mas quando os fãs percebem que o comandante valoriza a equipe passam a torcer, e isso os traz novamente para o nosso lado.”

Em sua trajetória de ‘loucuras’, não faltam boas histórias. Certa vez, em uma partida da Copa Belo Horizonte, ele podia fazer cinco substituições, mas realizou seis. “Ninguém percebeu. Empatamos o jogo no último minuto e o atleta falou para mim depois da partida. Aí falei para irmos embora rapidinho antes que alguém percebesse”, conta, rindo.

Ele passou por maus bocados no interior gaúcho. “Uma vez um torcedor me deu a mão na grade e esmagou meu dedo, que ficou deslocado. Era torcedor do adversário se passando por um do Inter.”

Na temporada, seu maior objetivo é levar o Náutico de volta para a elite. Ele até recebeu propostas de equipes da Série A, mas pretende continuar o trabalho em Recife até dezembro.

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