Phil Noble/Reuters
Phil Noble/Reuters

Liverpool eliminou o Barcelona em 2007 após 'brigões' decidirem, lembra Fábio Aurélio

Craig Bellamy tentou acertar John Riise com um taco de golfe após discussão

Rafael Franco, Estadão Conteúdo

01 de maio de 2019 | 13h14

Integrante da equipe do Liverpool que eliminou o Barcelona de Ronaldinho Gaúcho nas oitavas de final da Liga dos Campeões em 2007, o ex-lateral-esquerdo Fábio Aurélio lembrou nesta quarta-feira, dia em que os dois clubes se reencontram na competição no duelo de ida das semifinais, que a equipe inglesa triunfou diante do rival espanhol há 12 anos depois de um episódio curioso. Em entrevista ao Estado, o brasileiro recordou que os autores dos dois gols do time na vitória por 2 a 1, na partida de ida daquele mata-mata, no Camp Nou, foram jogadores que protagonizaram uma confusão entre eles às vésperas daquele jogo.

Na época, o conflito ocorreu em um dia no qual o então técnico do Liverpool, Rafa Benítez, liberou os atletas do elenco para curtirem uma folga em Portugal após o fim de um período de preparação, no Algarve, para o primeiro confronto com o Barça. No caso, o atacante galês Craig Bellamy brigou com o lateral norueguês John Riise em conflito que foi iniciado em um bar de karaokê. E a confusão acabou se estendendo até o hotel no qual a equipe estava concentrada, onde Bellamy tentou agredir o companheiro de time com um taco de golfe depois de ter sido xingado pelo mesmo.

"Aquele duelo marcou bastante e foi curioso um episódio que aconteceu antes daquele primeiro jogo. Tínhamos um tempo de preparação. O Benítez nos levou para Portugal, para o Algarve, para ficar uma semana se preparando para esse primeiro jogo com o Barcelona. E eu vinha me recuperando de uma lesão, mas eu estava junto com o grupo lá. No final da semana, no sábado, a gente voltaria para a Inglaterra, pois o jogo com o Barcelona era no meio da semana. O Benítez deu uma folga pra gente na sexta-feira e tinha um horário determinado para voltar ao hotel. Lembro que eu estava com o Mascherano (volante argentino) no quarto, assistindo a um filme ou qualquer outra coisa, e ouvimos um barulho pela janela. Olhamos pela janela, mas não deu pra ver nada", disse Fábio Aurélio, para em seguida destacar as consequências daquela briga.

"Depois na manhã seguinte teve reunião com o Rafa (Benítez) e parece que tinha tido uma briga entre o Bellamy e o Riise, em um episódio em um karaokê em que a gente esteve na noite de sexta. E o Bellamy já tinha um histórico de loucuras que andou aprontando. Não sei se ele bebeu, o que aconteceu exatamente, mas o que eu sei é que ele pegou um taco de golfe e deu umas atacadas no quarto do Riise", completou o ex-lateral.

Por causa da briga, Benítez chegou a punir os atletas com um afastamento do restante do elenco, mas dias depois os dois foram escalados como titulares e garantiram a vitória de virada sobre o Barça na abertura das oitavas de final, em 2007. Após o brasileiro naturalizado português Deco abrir o placar no Camp Nou, Bellamy empatou o jogo no final do primeiro tempo e Riise fez o segundo do Liverpool na etapa final.

"Esse episódio marcou muito porque no jogo os dois jogaram e o Riise foi o autor de um dos gols, o Bellamy fez outro gol e comemorou como se estivesse dando uma tacada de golfe. O pessoal (torcida) não entendeu muito bem aquela comemoração, mas todos nós já sabíamos o que tinha acontecido. E a preocupação antes do jogo era a de que esse episódio não influenciasse no rendimento do time, pois era um jogo muito importante, e ainda fora de casa. Mas felizmente aquilo acabou ajudando de certa forma porque os principais envolvidos no episódio influenciaram diretamente no resultado do jogo em favor do Liverpool", ressaltou Fábio Aurélio.

Em fase final de recuperação de uma lesão, Fábio Aurélio só foi aproveitado por Benítez no confronto de volta daquelas oitavas de final contra o Barça, no estádio Anfield, onde substituiu Riise no decorrer do duelo. O time espanhol acabou vencendo aquela partida por 1 a 0, com um gol do islandês Gudjohnsen aos 29 minutos do segundo tempo. Porém, a equipe inglesa avançou às quartas pelo maior peso dos gols que marcou fora de casa, que serviram como critério de desempate no mata-mata.

"Já no segundo jogo, a gente sabia da qualidade do Barcelona, mas a gente tinha confiança de que o mais difícil a gente já tinha alcançado, que era um resultado positivo fora de casa. E nós chegamos com uma vantagem importante com o jogo em casa. Isso nos deu uma tranquilidade maior, apesar das qualidades do Barcelona, mas em casa a gente achava difícil perder esta eliminatória. E se a gente não tivesse conseguido um resultado positivo fora de casa, dificilmente nós teríamos passado daquela eliminatória", enfatizou o ex-lateral ao Estado.

RONALDINHO ESPETACULAR

Fábio Aurélio também recordou que enfrentou Ronaldinho Gaúcho, então melhor jogador do mundo, neste mata-mata de 2007 com o Barcelona depois de ter atuado ao lado do craque nas categorias de base da seleção brasileira. Juntos, eles defenderam a equipe nacional, entre outros campeonatos, no Mundial Sub-20 de 1999, na Nigéria, e nos Jogos Olímpicos de 2000, em Sydney, na Austrália.

"Eu tive a oportunidade de participar de alguns minutos daquele segundo jogo das oitavas. Eu estava voltando de problemas físicos, joguei um pouco naquele segundo tempo em casa. E, claro, o Ronaldinho era espetacular, já tinha jogando em todas as categorias de base junto com ele. E ele vivia um momento espetacular pelo Barcelona. Poder viver aquele ambiente de Champions League, aquela atmosfera, em casa, estes momentos marcam bastante e aquela classificação foi muito importante para a gente", disse o brasileiro.

PREPARAÇÃO ESPECIAL

Fábio Aurélio ainda lembrou sobre como o time inglês reagiu ao saber que precisaria encarar o Barcelona, atual campeão da Europa após o título obtido em 2006. O confronto foi determinado por meio de um sorteio, que colocou frente a frente os dois vencedores das duas edições anteriores da Liga dos Campeões, pois o Liverpool faturou o troféu continental em 2005.

"Quando soubemos que o próximo adversário seria o Barcelona, encaramos com muita seriedade e com preocupação. Primeiro porque na Champions dificilmente você escolhe um adversário mais acessível, pois os que estão ali no mata-mata sempre têm os seus méritos. E quando se enfrenta times do porte do Barcelona e do Real Madrid, que têm uma história muito destacada em competições europeias, todo o cuidado é pouco", afirmou o ex-lateral, lembrando que o fato de precisar enfrentar o Barça motivou o técnico Rafa Benítez a levar a equipe a um período de preparação intensiva e de isolamento em Portugal para poder se concentrar apenas nas oitavas de final.

"Ficamos na Espanha uma semana e fizemos uma preparação diferente da qual estávamos acostumados a fazer. E nos preparamos da melhor maneira possível para que não fôssemos pegos de surpresa e pudéssemos, dentro do nosso estilo de jogo, levar a melhor sobre aquele time espetacular do Barcelona", destacou.

Doze anos depois daquele mata-mata de 2007, Barça e Liverpool fazem o duelo de ida das semifinais a partir das 16 horas (de Brasília) desta quarta-feira, no Camp Nou. A partida de volta está marcada para o próximo dia 7, na Inglaterra.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.