Taba Benedicto / Estadão
Livinho sonhava em ser jogador e agora vai realizá-lo Taba Benedicto / Estadão

Livinho, o MC que realizou o sonho de ser jogador no São Caetano

Com carreira consolidada na música e 10 milhões de seguidores no Instagram, cantor pôde correr atrás do desejo do avô de vê-lo jogando futebol

Marcius Azevedo, O Estado de S.Paulo

12 de setembro de 2021 | 05h00

O sonho de criança de Oliver era ser jogador de futebol para agradar o avô. Aos 26 anos, ele tem sua primeira chance como profissional na disputa da Copa Paulista pelo São Caetano. Mas, afinal, quem é Oliver? Certamente você o conhece como MC Livinho. Fenômeno no funk com mais de 10 milhões de seguidores no Instagram, o cantor decidiu que era o momento ideal para transformar em realidade o que ficou em segundo plano quando emplacou o primeiro sucesso na música com Mulher Kama Sutra, em 2012.

Ainda sem uma agenda de shows por causa da pandemia do novo coronavírus, Livinho iniciou os treinos no Anacleto Campanella em julho. Aos poucos, o agora atacante foi pegando o jeito do futebol profissional. Antes, a bola era pura diversão nas peladas de final de ano, quando ele demonstrava certa intimidade entre jogadores de férias ou já aposentados.

O desempenho nos jogos festivos gerou convites, como os do Oeste de Barueri e Audax. Ainda não era o momento. Surgiu o São Caetano. Foi o casamento perfeito. A possível estreia está marcada para sexta-feira, dia 17, diante da Portuguesa, no Anacleto Campanella. Basta o técnico Max Sandro colocá-lo em campo.

“Pisar no gramado como profissional é muito especial. Estou realizando um sonho. É uma parada muito séria, fica difícil de descrever o que estou sentindo neste momento”, afirmou Livinho. “É um sonho implantado no meu coração. Meu vôzinho, o finado Manoel Martins, queria que eu fosse jogador e isso se tornou o meu sonho também.”

Em campo, o estilo promete ser ousado como no funk. A principal referência de Livinho é Ronaldinho Gaúcho. A música, inclusive, os tornou amigos. “É o brabo, o paizão da bola”, comentou o MC. Ele ainda cita Pelé, Neymar, Ronaldo Fenômeno e Cristiano Ronaldo. 

Destro, Livinho vai atuar de ponta-esquerda. A definição da posição partiu da comissão técnica. “Ser ponta não é apenas atacar, tenho de entender o posicionamento, saber fechar os espaços, tem um formato para cada posição”, reproduz da maneira que aprendeu. “Como não tive base, tudo está sendo explicado detalhadamente para mim, o que preciso fazer, como me posicionar, em quais bolas posso ir para cima, em quais preciso dar o passe.”

A presença do funkeiro não gerou qualquer alteração na rotina da equipe. A comissão técnica não alivia na cobrança. O elenco também trata Livinho como mais um no grupo. Não à toa, muitos companheiros o chamam pelo nome de batismo. “O Oliver sempre foi um moleque sonhador”, afirmou o MC, que vê em alguns dos garotos o mesmo desejo que ele sempre teve. “São moleques sonhadores, com sangue bom. Estão atrás de um sonho. O sonho do MC que quer vencer e dar uma vida melhor para sua família é o mesmo do jogador.”

“Estou muito feliz pela recepção do clube, dos atletas, da comissão, sem palavras para agradecer. Estou me sentindo realmente em casa. Por isso, eu falo que aqui se tornou minha segunda casa”, acrescentou.

O MC não pretende abandonar a nova carreira. A ideia é que música e futebol caminhem juntas. Com poucos shows neste momento – sua agenda só deve ficar cheia novamente em 2022 – ele mantém uma rotina de composições, gravações e outros compromissos. “Pelo menos estou com tempo para dormir de madrugada”, comemorou Livinho, que, em diversas oportunidades, fez até três shows por noite. “Pretendo realmente conciliar os dois.”

O futebol, aliás, será inspiração para uma futura música. “Será algo que encaixe neste momento, contando o trajeto para chegar até este sonho”, revelou Livinho. Certamente será um sucesso, assim como Fazer Falta, primeiro funk paulista no topo da parada do Spotify.

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Empresário assume como presidente e quer reerguer o São Caetano com gestão profissional

Manoel Sabino entrou no clube do ABC paulista em maio deste ano com uma dívida de R$ 70 milhões

Marcius Azevedo, O Estado de S.Paulo

12 de setembro de 2021 | 05h00

Rebaixado no Paulistão, sem divisão no Campeonato Brasileiro e com uma dívida de R$ 70 milhões. Após figurar na elite do futebol nacional no início da década de 2000, o São Caetano aposta em uma gestão profissional para sair do buraco. O empresário Manoel Sabino resolveu enfrentar o cenário catastrófico e, em maio deste ano, assumiu como o presidente do São Caetano Futebol Ltda., no modelo de administração de clube-empresa. “Vimos que dava tempo de salvar”, justificou.

Sem ligação com o futebol, o primeiro passo do presidente foi entender o mecanismo na bola que já afundou tantos clubes no Brasil. “Você entende porque chega em um ponto como este”, explicou. 

Na sequência, Sabino atacou ações trabalhistas e débitos tributários. Logo depois tratou das demandas dos funcionários e dos jogadores, que sofreram com diversos atrasos de salário em um passado recente. “Conseguimos organizar, fazer alguns acordos.”

Em relação ao elenco, o presidente definiu um teto salarial para diminuir o valor da folha salarial. Atualmente, segundo ele, o maior vencimento não supera R$ 2,5 mil mensais. “Temos de investir na formação na base, não contratar uma estrela que não podemos pagar”, disse.

Sabino também negociou com o prefeito de São Caetano, Tite Campanella, para reformar e utilizar quatro campos de futebol na cidade para os treinos das categorias de base, além da equipe feminina, que ele pretende reativar.

Outra preocupação da nova administração foi separar fisicamente o São Caetano Futebol Ltda. da AD São Caetano, o clube social. O empresário alugou um prédio próximo do estádio Anacleto Campanella para servir como quartel-general. 

O plano é recolocar o clube do ABC em destaque no mapa do futebol brasileiro novamente em cinco anos. O primeiro desafio é na Copa Paulista, que começa nesta terça-feira e dá ao campeão uma vaga na Série D do Brasileirão.

Sabino pretende fazer uso os benéficos da lei do clube-empresa, que foi sancionada em agosto pelo presidente Jair Bolsonaro, em um modelo que ainda assusta aos presidentes de clubes. “Você é o responsável pela empresa. Não existe o daqui para frente, você assume todo o passivo dela. Não tem para onde fugir”, explicou.

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