Divulgação/Deportivo Lara
Divulgação/Deportivo Lara

Logística será um dos desafios do Corinthians na Libertadores

Time vai encarar 20 mil km pelo continente para pegar Independiente (Buenos Aires), Millonarios (Bogotá) e Deportivo Lara, de Cabudare, na Venezuela

Daniel Batista e Matheus Lara, O Estado de S.Paulo

22 de dezembro de 2017 | 07h00

O sorteio da Libertadores, realizado quarta, apontou aos times brasileiros seus primeiros adversários na luta pela conquista continental. Eles também tiveram uma noção do quanto terão de viajar para ganhar a América. Em decorrência da disputa da pré-Libertadores, Corinthians e Grêmio são os únicos brasileiros que já conhecem seus três rivais, e traçam caminhos longos para cumprir a tabela. A logística será um dos desafios do Corinthians.

A equipe vai até Buenos Aires encarar o Independiente. Na sequência, viaja até Bogotá para enfrentar o Millonarios. Poderá fazer isso em voos fretados ou de carreira. O problema será o confronto com o jovem Deportivo Lara. A equipe fundada em 2009 manda suas partidas na desconhecida cidade venezuelana de Cabudare – 260 km da capital Caracas. Para chegar à cidade de pouco mais de 76 mil habitantes ( dados de 2011), o Corinthians terá de alugar um avião ou encarar uma maratona, que terá viagens em três aeronaves e um trecho de ônibus. O time terá de ir a Bogotá, na Colômbia, ou ao Panamá para depois desembarcar em Caracas.

No total, o Corinthians deve somar mais de 20 mil km de viagens ao longo da primeira fase. A Conmebol deve anunciar nos próximos dias a data dos jogos e, a partir daí, o clube iniciará o trabalho de logística para evitar que o elenco se desgaste ainda mais em suas partidas. 

A tendência é poupar os jogadores às vésperas das viagens e se valer de reservas para a disputa dos jogos do Paulista.

O rival Palmeiras viverá situação parecida. No Grupo 8, o time de Dudu tem previsão de rodar mais de 12,2 mil km para enfrentar Boca Junior (Argentina), Emelec (Equador) e mais um rival que virá da pré-Libertadores. Entre os adversários possíveis, os mais próximos de São Paulo estão a 1,1 mil km: Olímpia e Guaraní, ambos do Paraguai. Os possíveis rivais mais distantes são Junior Barranquilla, da Colômbia, que faria o time alviverde viajar mais 4,9 mil km (ida e volta), e o Carabobo, da Venezuela, que demandaria percurso aéreo de 4,4 mil km. Se um deles for o classificado da pré no Grupo 8, o deslocamento total do Palmeiras nesta etapa pode chegar aos 20 mil km.

Da falência à Libertadores. O Deportivo Lara tem história de altos e baixos em campo. Em 2006, foi criado o Guaros de Lara e, três anos depois, a equipe faliu. No dia 2 de julho de 2009, antigos dirigentes do Guaros se juntaram para formar o Deportivo Lara, que contou com investimento e apoio de Arid Garcia, empresário do ramo agrícola. Ocorre que, em setembro deste ano, ele foi preso pela Polícia Federal da Venezuela sob a acusação de lavagem de dinheiro em negócio com empresas brasileiras. Nesta condição, o Lara vai para a Libertadores de 2018.

Antes de ganhar o direito de representar seu país na América, o time viveu numa crise financeira. Para não falir pela segunda vez, se valeu de ajuda da prefeitura da cidade. E assim sobrevive até os dias de hoje. Em campo, a equipe venezuelana tem conquistado feitos interessantes. Conseguiu ser campeã nacional em 2011/12. O destaque é o atacante argentino Lucas Gómez, de 30 anos. Embora seja de uma cidade pequena, o Lara tem um estádio de dar inveja a grandes do Brasil. O Metropolitano de Cabudare tem a capacidade para 45.312 torcedores e foi construído para ser um das sedes da Copa América de 2007, torneio vencido pelo Brasil.

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