Guilherme Faria/Estadão
Guilherme Faria/Estadão

Lojas no entorno do Mineirão reforçam segurança temendo protestos

Capital mineira, que receberá Brasil x Uruguai, está preparada para os protestos que vão anteceder a semifinal da Copa das Confederações

GUILHERME FARIA - Especial para o Estado, O Estado de S. Paulo

26 de junho de 2013 | 08h03

BELO HORIZONTE – No último sábado, dia da partida entre México e Japão no Mineirão, 70 mil pessoas marcharam do centro da capital mineira até as proximidades do Mineirão, protestando contra a realização da Copa e várias outras causas. Ao tentar romper a barreira policial e tentar entrar na de isolamento do estádio determinada pela Fifa, manifestantes e PM entraram em conflito, causando danos a diversas lojas localizadas nas proximidades do cruzamento entre as avenidas Antônio Carlos e Abraão Caram. Muros pichados e cacos de vidro espalhados pelas calçadas são vestígios que ainda ilustram o cenário de destruição em que se transformou a região.

 

Além das vidraças quebradas, o comércio da região sofreu outros tipos de danos, como uma concessionária de automóveis novos, que teve veículos de seu mostruário danificados. Sem funcionar desde o dia dos confrontos, a loja registrou um prejuízo de mais de R$ 1 milhão, segundo o jornal "O Tempo".

 

Gerente de outra loja de automóveis, que se localiza no lado oposto da Avenida Antônio Carlos, Fernando Vargas não crê que a proteção policial seja suficiente para poupar os bens do local. "Além de retirar os carros, vamos também guardar computadores, mesas, cadeiras e até a máquina de café", revela. Outra medida tomada foi a instalação de tapumes para resguardar os vidros.

 

O decreto de feriado municipal em Belo Horizonte nesta quarta acabou sendo importante para manter a segurança dos funcionários dos estabelecimentos das áreas por onde a passeata deve passar novamente. Isso evitará que João Viotti, responsável comercial de outra concessionária na região, volte a presenciar as cenas de violência dos outros dois dias de jogos na cidade.

 

"Vi ações de guerrilha nos protestos dos dias 17 e 22. Vândalos atiravam pedras na polícia e logo após trocavam de roupa e voltavam a fazer o mesmo. Um manifestante de bem não carregaria três mudas de roupa em uma mochila", pondera Viotti, que ficou preso na loja durante os confrontos. Ele ainda classifica esse grupo como "movimento organizado" e também relata que viu essa minoria lançando gasolina e coquetéis molotov em agentes de segurança.

 

Também preocupado com a truculência da polícia na repressão aos manifestantes, Viotti espera que a PM garanta a segurança na parte externa da loja. Porém, ele conta que a proteção do local também será feita por 13 seguranças armados, que garanta que a loja não tenha o mesmo prejuízo do último sábado, que chegou a R$ 15 mil.

 

Educação como arma. Uma escola que se localiza no início do perímetro de isolamento do Mineirão apostou em uma tática diferente para conter a violência na tarde desta quarta. Banners com dizeres como "Por um país que valoriza a educação" e "Todos por um Brasil melhor" foram afixados na grade do colégio, que também sofreu com atos de vandalismo.

 

Flávia Lélis, gerente da instituição, afirma que apoia os protestos pacíficos. "Não levantamos bandeira para ninguém, mas entendemos que os problemas do país sejam resolvidos de forma democrática", afirma.

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