Lopes aparece e "bagunça" o Palmeiras

A atitude do atacante Lopes, que faltou ao treinamento de sexta-feira, não comprometeu apenas emocionalmente o time. Tecnicamente já sobrou também para o técnico Celso Roth, que imaginava ter um final de semana tranqüilo após três vitórias consecutivas e seguiu para a concentração cheio de incertezas. Sorte do São Caetano, que vai enfrentar um Palmeiras no mínimo confuso neste domingo. "O São Caetano seria um adversário difícil de qualquer jeito, independentemente de nossas questões internas", diz o próprio técnico palmeirense.Roth trabalhou a semana toda contando com a presença de Lopes e no coletivo de sexta, com a ausência do jogador, foi obrigado a testar duas opções. Uma com Juninho, outra com Munõz. Para complicar ainda mais a sua cabeça, neste sábado, enquanto Roth se preparava para decidir quem seria escalado no lugar de Lopes, o próprio Lopes apareceu na Academia acompanhado por sua mãe e se desculpou publicamente por sua atitude irresponsável - a falta ao treinamento e a mentira envolvendo uma hipotética doença de sua mãe.Tão antiprofissional quanto a atitude de Lopes foi a maneira como a diretoria palmeirense administrou a questão. Sem saber o caminho a seguir, o diretor de futebol Américo Faria nem puniu nem perdoou o atacante. E deixou o técnico Celso Roth com uma bomba nas mãos, sem saber, afinal, se poderia ou não aproveitar Lopes no jogo deste domingo. "Não posso definir o ataque antes de saber qual será a decisão do clube em relação ao Lopes", dizia o técnico palmeirense, entre impaciente e constrangido pela situação inusitada. "Realmente o Lopes é um caso atípico. Ele tanto pode enfrentar o São Caetano como pode ser afastado do clube".Mais ridículo ainda foi a sugestão de Américo Faria aos jornalistas instantes antes de o time deixar a Academia de Futebol rumo à concentração, sem Lopes. "Vocês podem ligar para o Márcio Araújo mais tarde que ele informará qual foi a nossa decisão. O Lopes vai ficar em casa aguardando o que a direção vai decidir em relação ao seu futuro". Os jogadores foram para a concentração totalmente desinformados em relação ao problema. "Até agora ninguém nos falou absolutamente nada em relação ao Lopes", afirmou o meia Alex. "Pelo que sei, o treinador testou duas opções. Uma com o Juninho, que é meia, outra com o Munõz, que é atacante".Os dois cotados para entrar no lugar de Lopes tinham a mesma incerteza. Um deles, Muñóz, parecia até assustado com a chance repentina de entrar na equipe. "Vai ser um pouco complicado. Não estou jogando faz tempo, mas é uma oportunidade. Se confirmada, vou tentar aproveitá-la da melhor forma possível, mesmo tendo treinado só 20 minutos no time titular". Juninho, surpreendentemente, também parecia cheio de receios. "O Celso Roth exige que os meias voltem muito para ajudar na marcação. Essa não é a minha característica, ainda não me adaptei a esse estilo mas vou tentar fazer o que ele quer".Uma segunda dúvida na cabeça de Celso Roth, coincidentemente, também está no ataque. Depois de participar do coletivo como titular, Fábio Júnior pode acabar no banco de reservas. Mesmo com o tornozelo direito machucado, Tuta foi relacionado para a concentração e vai fazer um teste no vestiário. Se passar, joga contra o São Caetano.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.