Lopes fica, mas está desprestigiado

Apesar de mantido como coordenador técnico, Antônio Lopes se torna, cada vez mais, uma figura burocrática, sem o poder de decisão que lhe era atribuído quando assumiu o cargo - ele dizia que escolheria sozinho o treinador, em caso de mudança. Ao chegar ao Rio de Janeiro, na manhã desta terça-feira, ele garantia que não havia sido feito nem mesmo uma sondagem com o técnico que substituiria Leão, embora a contratação de Luiz Felipe Scolari já fosse certa. "Não houve nenhum contato até agora", disse.Pode até ser que Lopes estivesse escondendo informação, mas é pouco provável pois, meia hora depois das suas declarações, Scolari já admitia ter recebido o convite da CBF e se preparava para viajar para Brasília. "Vamos conversar para ter um nome até o fim do dia", especulava o treinador, alheio à negociação empreendida pela cúpula da CBF.A data do jogo com o Uruguai, pelas eliminatórias do Mundial de 2002, é outro ponto que revela o desconhecimento de Lopes. "Aquela data era para o Leão. Teremos de definir se será mantida", explicou. No dia anterior, o próprio Ricardo Teixeira dizia que a convocação continuava marcada para quarta-feira. Ainda assim, Lopes garantia que tinha falado duas vezes com o dirigente nas últimas 24 horas, o que significa que Teixeira nem se deu ao trabalho de informá-lo. Para completar o desprestígio que atinge o coordenador, enquanto ele ficava no Rio de Janeiro, Teixeira se reunia com Scolari e o anunciava como novo técnico da seleção. Diante da pressão da imprensa, Lopes apenas demonstrava aprovação. "É um nome que agrada." Mas fica difícil acreditar que o coordenador teve influência na escolha porque, ainda no sábado, após a derrota para a Austrália, Lopes garantia a permanência de Leão. Nesta ocasião, Teixeira já tinha decidido pela saída do treinador, o que foi comunicado, no dia seguinte, a Lopes. "Os resultados foram abaixo do esperado", disfarçou ele, já com a demissão consumada. O coordenador, que completou 55 anos nesta terça-feira, ainda tenta reafirmar a sua autoridade. "Estou acostumado a comandar."

Agencia Estado,

12 de junho de 2001 | 17h47

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