Lopes só fica se chegar à Libertadores

Por influência do presidente Alberto Dualib, que não o queria como técnico do Corinthians, Antônio Lopes não está garantido até o fim de 2006. Pelo contrário. Ele tem um contrato de risco com o clube do Parque São Jorge. Seu compromisso firmado vai até o final da Libertadores de 2006 ? isso se o clube se classificar. Caso contrário, pode até sair em dezembro. A renovação até 2006 dependerá da avaliação após a competição sul-americana. Se for negativa, Lopes será dispensado sem multa.?Eu conheço o Lopes há mais de 20 anos e sei do seu potencial. Sua capacidade de trabalhar o credencia a ficar, com sucesso, até o final de seu contrato conosco. Ele é um vencedor?, diz o diretor da MSI Paulo Angioni ? o maior defensor da contratação do delegado aposentado.No seu site pessoal (www.antoniolopes.com.br) o treinador confirma. ?O projeto (com o Corinthians) envolve este ano e a Libertadores do ano que vem.? Lopes mesmo não assume ficar até o final de 2006.Dualib, inimigo agora não só de Kia como também de Angioni, não tem essa convicção. Vivido, o presidente corintiano vê com desconfiança os métodos rígidos ao extremo que o treinador utiliza. Acredita que é difícil administrar confrontos como os que o técnico cansou de colecionar em sua carreira com um grupo tão problemático formado pela MSI. De acordo com o presidente corintiano, jogadores comprados ?a peso de ouro?, como Tevez , Roger, Carlos Alberto ou Mascherano, não baixam a cabeça se Lopes quiser se impor gritando ou controlando horários, como se fosse um inspetor de alunos. O exemplo foram as cinco multas que Carlos Alberto pagou sorrindo depois das indisciplinas que colecionou desde que chegou, como brigas e atrasos. As multas não pesaram no seu alto salário de R$ 180 mil mensais.Há também a séria preocupação de se indispor com os veículos de comunicação, principalmente com a TV Globo.No primeiro treino como técnico do Corinthians, na terça-feira, em Buenos Aires, Lopes resolveu criar caso com as televisões. Não deixou que o seu simples treinamento tático fosse filmado. A truculência desnecessária não passou despercebida pelos chefes das emissoras brasileiras que enviaram equipes até a Argentina.Dualib defendia junto aos seus conselheiros de confiança a contratação de Nelsinho Baptista. Na Europa, o dirigente ficou irritado quando soube que a MSI não conseguira negociar com o técnico que deu o primeiro título brasileiro ao clube, em 1990. Raivoso, ouviu as desculpas de Kia que Nelsinho havia pedido muito alto e queria trocar toda a comissão técnica. E mais ainda quando soube que a única opção seria Lopes. Quando percebeu que seria voto vencido, o presidente resolveu aceitar para não perder prestígio.Lopes concordou com o acordo provisório, porque confia no seu trabalho. Aos 64 anos, um dos treinadores mais velhos do Brasileiro, ele sabe que o convite para substituir Márcio Bittencourt é, na verdade, uma dos últimos de um clube tão importante como o Corinthians. Além disso, ele fracassou nas três vezes em que trabalhou em São Paulo ? duas pela Portuguesa e uma pelo Santos.?Eu saí do Atlético Paranaense para vencer no Corinthians. Tenho plena convicção da força do grupo de jogadores que estão aqui. Sei também tudo que poderemos conseguir. Vim para vencer, ser campeão?, diz Lopes, mandando recado para quem duvida do seu trabalho. Como, por exemplo, o presidente Alberto Dualib.

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