Montagem/Estadão
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Futebol do Brasil já esteve arrolado em duas 'máfias' de loteria

Em 1982, revista Placar revela 'Esquema da Loteca. Em 2005, Veja publica a 'Máfia do Apito': dois escândalos em partidas

O Estado de S. Paulo

10 de setembro de 2015 | 13h36

O esquema de fraude nas Loterias da Caixa Econômica Federal detonado pela Polícia Federal nesta quinta-feira, e envolvendo, de acordo com acusações oficiais, o ex-jogador do Corinthians e Palmeiras, Edílson Capetinha, não é o primeiro nas loterias do Brasil, que movimenta milhares de apostas semanalmente e mexe com a esperança do povo brasileiro. Particularmente sobre a Loteria Esportiva, a chamada Loteca, cujo carro-chefe são as partidas de futebol do fim de semana, o País já viveu dois grandes escândalos, um mais recente, denominado "Máfia do Apito', cujo esquema para beneficiar jogadores em casas de apostas 'mexia' com os resultados dos jogos por meio de trapaças dos árbitros. Neste caso, o maior envolvido foi o juiz Edílson Pereira de Carvalho. A revista Veja, da Editora Abril, divulgou o esquema em 2005.

O outro caso, esse mais antigo, diz respeito à 'Máfia da Loteria Esportiva', cujo esquema fraudulento foi revelado pela Placar em 1982. Também para beneficiar apostadores que sabiam da trama, de acordo com a revista, havia muita gente envolvida nos resultados dos jogos que estavam na cartela da Loteca. Naquele tempo, 13 pontos premiavam os ganhadores. Jogadores, árbitros, dirigentes e técnicos de futebol estavam envolvidos.

De acordo com as investigações da Placar, Flávio Moreira era chefe do setor de loterias da Sport Press, que organizava os testes escolhendo alguns jogos que interessavam ao esquema, encaminhando-os para seus superiores aprovar em Brasília, onde as loterias eram administradas. Esses jogos 'escolhidos' estavam batizados e os envolvidos sabiam quais seriam os seus resultados. Apostavam na coluna certa e ganhavam dinheiro, os prêmios. Em dezembro de 1985, a Policia Federal anunciou a conclusão do inquérito sobre a Máfia da Loteria Esportiva. Dos 125 acusados pela reportagem, apenas 20 foram indiciadas. O restante se salvou por falta de provas.

A relação dos acusados tinha Ary Gil Cahet, Manoel Rodrigues Mansur, Roque Antonio Pereira Pires, Leon Barg e Aziz Abdalla Domingos, todos indiciados pelo esquema. A reportagem revelou que os jogadores do Vasco, Adeir Pinheiro e Sérgio Pereira, se envolveram na trama. Eles foram acusados por ex-companheiros da Desportiva Ferroviária de tentar manipular o resultado da partida Desportiva x Ordem e Progresso, jogo do concurso 568, de outubro de 1981. Ofereceram suborno de 300 mil cruzeiros para o goleiro Rogério para deixar passar algumas bolas.

2015

Nesta quinta-feira, a Polícia Federal identificou o ex-jogador Edílson Capetinha como um dos alvos da Operação Desventura, deflagrada nesta quinta. Segundo a PF, o esquema teria fraudado o pagamento de loterias. Edílson estaria envolvido, de acordo com a polícia. Os investigadores apontam que o esquema contava com ajuda de correntistas do banco, escolhidos por movimentarem grandes volumes de dinheiro. Eles teriam sido usados para recrutar gerentes da Caixa para a fraude. A PF afirmou que Edilson fazia parte do grupo dos correntistas.


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