Rodrigo Coca/Ag. Corinthians
Rodrigo Coca/Ag. Corinthians

Luan admite problemas no Corinthians, promete não desistir e revela abatimento com mortes de amigos

Atacante reconhece viver má fase, mas descarta desistir de evoluir e recuperar o futebol dos tempos de Grêmio

Redação, O Estado de S.Paulo

30 de março de 2021 | 10h44

Em baixa no Corinthians depois de ser contratado por quase R$ 29 milhões, o atacante Luan deu explicações sobre a queda do seu rendimento no clube. O ex-gremista virou um reserva de luxo. Nesta temporada, ele não foi utilizado nas três últimas partidas do time, mesmo com as cinco substituições dos jogos. Apesar da má fase, o jogador garante que não vai desistir. Luan afirma que vai dar a volta por cima e superar o desânimo motivado, entre outras coisas, pelas mortes de pessoas próximas a ele e pelas lesões seguidas.

Luan concedeu entrevista ao site GE e garantiu ter a capacidade de retomar o nível de atuações que tinha no Grêmio. Em 2017, ele foi destaque na conquista da Libertadores e chegou a ser convocado para a seleção brasileira. "O que eu fiz não foi à toa, sei da minha capacidade. Acredito, sim, que possa voltar a jogar da forma que estive no Grêmio. Estou me dedicando para que isso volte o mais rápido possível", explicou.

O jogador de 28 anos, contratado pelo Corinthians em dezembro de 2019, garante que o problema para a queda de rendimento não é a posição em campo. Luan afirma que se adapta em qualquer função. "Sempre falei isso, nunca tive problema com posição. Já joguei em todas na frente, beirada, meia, falso 9. Não tenho problema, sem preferência. Na frente, consigo me adaptar bem em qualquer uma", disse.

Segundo profissionais que trabalharam com ele, o rendimento de Luan caiu muito por causa da paralisação de quatro meses do futebol no ano passado causada pela pandemia da covid-19. O elenco passou um longo tempo com treinos remotos em casa. A carga menor de trabalhos e a distância dos exercícios coletivos com bola pesaram para que ele tivesse problemas na parte física.

"Luan foi um dos que mais sentiram essa parada. Dificuldade de alimentação, suplementação, parte física, parte tática. Estava em um momento de evolução e foi para um de involução. Percentual de gordura e peso muscular aumentaram. Tivemos muita dificuldade para colocá-lo no mesmo nível", disse na reportagem o ex-preparador físico do Corinthians, Michel Huff, que trabalhava na comissão técnica de Tiago Nunes.

Aliado a tudo isso, o jogador tem enfrentado problemas na vida pessoal, com a perda de pessoas próximas. Luan veio de um bairro humilde de São José do Rio de Preto (SP). Conviveu de perto com o crime e as drogas, mas se apegou ao futebol como forma de superar as dificuldades. No entanto, nos últimos anos ele teve de encarar a tristeza da morte da avó e de mais dois amigos. Um deles, chamado por Luan de irmão, foi assassinado na porta de uma pizzaria. Outro amigo foi vítima de um acidente fatal de trânsito. "Procurei me apegar a Deus, o único que pode nos dar força, ficar mais próximo da família. Superar não tem como, mas tem como se conformar um pouco mais", explicou.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.