Rodrigo Coca/Ag. Corinthians
Rodrigo Coca/Ag. Corinthians

Luan contrata preparador físico, fisioterapeuta e até cozinheira para resgatar o bom futebol

Jogador do Corinthians vive pior fase desde que chegou, não é usado por Sylvinho e vira gozação dos torcedores em votação durante as partidas do time

João Prata, O Estado de S.Paulo

19 de agosto de 2021 | 05h00

O meia-atacante Luan vive seu pior momento no Corinthians. Faz quatro jogos que não sai do banco de reservas. Ao mesmo tempo, também é o período em que está mais empenhado em dar a volta por cima na carreira. Além dos treinos com o elenco, ele contratou preparador físico, fisioterapeuta, endocrinologista e até uma cozinheira para tentar recuperar o futebol que o levou para a seleção brasileira tempos atrás. 

Parte da torcida alvinegra já perdeu a esperança (e a paciência) com o jogador. Nos últimos jogos transmitido pela TV Globo, a Fiel, como forma de protesto, elegeu Luan como o melhor atleta das partidas em que ele sequer entrou em campo.

Luan e a diretoria nunca esconderam que a contratação era uma aposta e seria necessário paciência para adaptação. Uma aposta bem cara, é verdade, para um clube com dívida na casa do bilhão de reais. Em janeiro do ano passado, o Corinthians aproveitou que o meia-atacante havia perdido espaço no Grêmio e adquiriu 50% dos seus direitos por R$ 28,95 milhões - a informação consta no balanço financeiro do clube.

O valor investido era uma tentativa de recuperar aquele jogador que foi fundamental para a conquista da então inédita medalha de ouro pela seleção brasileira nos Jogos Olímpicos do Rio 2016 e também líder do Grêmio na campanha do título da Libertadores de 2017 - no ano seguinte, ele ainda recebeu do jornal El Pais, do Uruguai, o prêmio Rei da América, de melhor jogador do continente. 

Mas os últimos anos foram complicados para o jogador dentro de campo. De titular absoluto no Grêmio, foi para a reserva e acabou sendo negociado. No Corinthians, chegou como principal reforço e era para ser a grande referência ofensiva do time então comandado por Tiago Nunes. Não deu certo e ele também foi perdendo espaço. Vieram outros treinadores que também deram chances para Luan entre os titulares. Não rendeu com Dyego Coelho, Vagner Mancini e agora com Sylvinho. Foram 66 partidas disputadas pelo Corinthians até aqui e 11 gols. Neste ano, entrou em campo por 22 vezes e balançou as redes somente em quatro oportunidades. Nos últimos quatro jogos, ficou na reserva.

As chances de Luan retomar a posição diminuíram também após as contratações de Giuliano e Renato Augusto. Jogadores experientes, como ele, e que precisarão de atletas mais jovens para atuar ao lado, especialmente no início, quando falta à nova dupla ritmo de jogo.

Mas o que poderia ser uma sequência de acontecimentos ruins para Luan, pode ser uma oportunidade de reviravolta na carreira. O jogador sabe que com Renato Augusto e Giuliano a bola vai chegar melhor, terá mais opções para criar jogadas. Por isso, pediu para conversar com o técnico Sylvinho. Contou sobre sua nova rotina, a dedicação redobrada aos treinos e à saúde. O trabalho à parte é diário e conta com ajuda de dois profissionais do Corinthians, o preparador físico Flavio de Oliveira e o fisioterapeuta Luciano Rosa. Os encontros com a endocrinologista Elaine Ferraz são semanais. 

As decisões foram tomadas em conjunto com sua esposa, que também tem tentado ajudá-lo a retomar o melhor futebol. Os dois são evangélicos e frequentam a igreja Yah Church, que tem sede em diversos Estados do Brasil. Na atual fase, o jogador não tem falado com a imprensa. A entrevista mais recente que deu foi ao pastor Lamartine Posella. Ele gravou um podcast para a igreja em que fala sobre essa sua tentativa de não desistir e tentar dar a volta por cima. O áudio da conversa será publicado em setembro.

Uma coisa que entristece sua esposa, que Luan prefere não divulgar o nome, é ver as pessoas confundirem o jeito do marido, que é mais tímido e reservado, com falta de vontade.

Apesar do currículo extenso, Luan ainda é jovem - tem 28 anos - e espera com esse trabalho se adaptar melhor ao futebol moderno, de mais força física e velocidade. Ao longo da carreira, já demonstrou sua versatilidade. No próprio Corinthians, já atuou como meia armador, aberto pelas pontas, centroavante e segundo atacante.

Os dirigentes dizem que o jogador não está à venda. Mas o fato é que Luan perdeu espaço com Sylvinho e não vem jogando em um time que ocupa apenas a parte intermediária da tabela de classificação no Campeonato Brasileiro e foi eliminado precocemente nos outros três torneios que disputou: Campeonato Paulista, Sul-Americana e Copa do Brasil. 

Torcedor do Corinthians desde a infância em São José do Rio Preto, interior de São Paulo, Luan comentou em sua apresentação que a chegada ao clube era a realização de um sonho. “Caiu muito bem em mim esse uniforme que eu já usava desde pequeno. Garanto que raça e dedicação não vão faltar.” 

O contrato dele com o clube vai até o fim de 2023. Luan tem aí pouco mais de um ano para tentar fazer com que esse sonho termine com um final feliz.

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