Lugano, o uruguaio grato ao Brasil

O uruguaio Diego Lugano diz estar vivendo o momento mais feliz de sua carreira. Eleito o melhor zagueiro do Campeonato Brasileiro de 2004 e prestes a conquistar seu primeiro título pelo São Paulo (o do Campeonato Paulista), Lugano ganhou também a condição de titular absoluto da seleção de seu país após a entrada do técnico Jorge Fossati no lugar de Juan Ramón Carrasco, no final do ano passado.Lugano credita o sucesso repentino a seu próprio esforço. Um exemplo: no São Paulo, ele é sempre um dos primeiros a entrar no campo para treinar e um dos últimos a sair. Na seleção uruguaia, também: no treinamento de segunda-feira, no Estádio Centenário, o zagueiro ficou mais de meia hora fazendo exercícios físicos no gramado, sozinho, enquanto seus colegas já estavam no vestiário tomando banho ou conversando com os jornalistas à beira do campo.Agência Estado - Você já é bem respeitado no Brasil e muito admirado pela torcida são-paulina. Acredita que pode ganhar ainda mais respeito se conseguir anular os Ronaldos em campo? Diego Lugano - Creio que sim. Uma boa atuação individual sempre ajuda, dá uma boa repercussão.AE - O que esses dois anos atuando no Brasil representam para você? Seu futebol evoluiu? Lugano - O futebol interno do Brasil tem muita competitividade. O jogador que chega ainda jovem, como eu, tende a evoluir muito com isso. Fui para o Brasil muito novo e aprendi várias coisas importantes. Sou muito grato ao São Paulo e ao Brasil pela oportunidade que me foi dada.AE - Por jogar em casa e precisar da vitória mais do que o Brasil, o Uruguai pode ser considerado favorito? Lugano - É difícil falar em favoritismo quando vamos enfrentar a melhor seleção do mundo. Mas a chance é nossa. Estamos em casa, evoluindo na competição e precisando dos três pontos. Temos que repetir o mesmo futebol que mostramos contra o Chile (empate em 1 a 1, sábado passado), mas com um resultado melhor.AE - Como vai ser marcar Ronaldo? Lugano - Uma honra. Para mim, é um dos melhores atacantes do mundo. Temos que marcar em cima, não só o Ronaldo, mas também o Ronaldinho, o Kaká, o Robinho. Não tem como segurá-los, mas temos que acompanhá-los de perto.AE - O que é para o uruguaio um jogo contra o Brasil? Lugano - Há uma história de rivalidade muito grande nesse jogo. Pena que o Uruguai hoje não esteja no mesmo nível que Brasil e Argentina. Mas ainda assim somos um time que merece ser respeitado. Ganhar do Brasil representaria muito para nós.AE - O Uruguai não perde para o Brasil no Centenário há 29 anos e os brasileiros sempre falam que é muito difícil jogar neste estádio. Na sua opinião, por que isso acontece? Lugano - Este estádio tem uma mística muito grande. Não conheço outro estádio com uma história tão repleta de títulos. E a torcida nos dá uma força incrível.

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