Divulgação/ Instituto Cohen
Divulgação/ Instituto Cohen

'Lugares que estão mantendo campeonatos estão sendo inconsequentes', diz médico da FPF

Moisés Cohen afirma no Estadão Esporte Clube que a suspensão do Campeonato Paulista tem o intuito de minimizar o ápice de contágio do coronavírus no Brasil e faz previsão alarmante

Redação, O Estado de S.Paulo

17 de março de 2020 | 14h42

O Estadão Esporte Clube entrevistou nesta terça-feira o médico Moisés Cohen, diretor médico da Federação Paulista de Futebol (FPF) sobre as decisões tomadas no dia anterior pela entidade em meio ao crescente número de casos do novo coronavírus, denominado como Covid-19, em São Paulo. Nesta segunda, a FPF suspendeu, por tempo indeterminado, o Paulistão. Entre outras coisas que o leitor pode ouvir no áudio do fim deste texto, o médico afirmou que a decisão segue medidas preventivas do Ministério da Saúde e que foi pensada com o intuito de amenizar a taxa de pico da doença no Brasil. Esse pico ainda não chegou, segundo ele. Ele disse ainda que os torneios de futebol devem ser paralisados e quen não toma essa decisão "age de forma inconsequente."

"Nossa conduta foi sempre seguir rigorosamente o que o Ministério da Saúde determina. É ele que consegue acompanhar os números e a velocidade da disseminação da doença."

O médico ressaltou que os países que enfrentam, ou enfrentaram, o ápice de contágio do novo coronavírus devem ser tidos como exemplo para a tomada de decisões no Brasil. "Temos uma história natural do que acontecerá aqui tendo em vista o que já aconteceu nos outros países, com um aspecto de que não temos evidências de como esse vírus irá se comportar num país tropical. Temos de pensar naquilo que é fato e é em cima disso que estamos adotando nossa conduta", disse.

Cohen ainda alertou que o motivo principal para a suspensão do Campeonato Paulista não gira entorno dos jogadores, mas sim das consequências geradas em cadeia por uma partida de futebol. "O problema não é o atleta propriamente dito. Se ele contrair coronavírus é provável que tenha um processo gripal corriqueiro. Porque ele é forte, faz exercícios... Contudo, o indivíduo (que vence a partida) vai comemorar o resultado, vai numa balada, vai num bar fechado, vai dar um beijo em seus avós, nos pais e, assim, ele irá se tornar um vetor, um disseminador do coronavírus. O problema não é o jogo, o que nos preocupa é o entorno."

Apesar das recomendações dos órgãos estaduais e federais, não foram todas as federações esportivas que suspenderam seus campeonatos regionais. Até o momento, sete entidades estão com o calendário mantido e com a presença de torcidas nos jogos. São elas: Acre, Amazonas, Espírito Santo, Mato Grosso, Rondônia, Roraima e Tocantins. O médico da FPF acredita que manter o calendário nesse momento é um ato de inconsequência. 

"Esses lugares que estão mantendo os campeonatos estão sendo no mínimo inconsequentes. O momento ruim não chegou ainda. Essa é a hora de cada um parar, ir para sua casa e ficar quieto nela. Daqui a 15, 20 dias é esperado o pico do coronavírus no nosso meio. Esses Estados precisam parar também, para que a conta não chegue mais cara", alertou.

Além do Paulista, também estão suspensos os campeonatos Mineiro, Carioca e Gaúcho. E nível nacional, a CBF paralisou por tempo indeterminado todas as disputas que organiza e que estavam em andamento, como Copa do Brasil, Campeonato Brasileiro Feminino A1 e A2, Campeonato Brasileiro Sub-17 e Copa do Brasil Sub-20. Moisés Cohen também é médico do hospital israelita Albert Einsten, de São Paulo, e faz importantes alertas sobre o novo coronavirus. Ouça no áudio abaixo do Estadão Esportes Clube. 

 

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